Urântia

OS DOCUMENTOS DE URÂNTIA

- A REVELAÇÃO DO TERCEIRO MILÊNIO -

INDICE

Documento 148

Formação dos Evangelistas em Betsaida

148:0.1 (1657.1) Desde 3 de maio a 3 de outubro do ano 28 d.C., Jesus e o grupo apostólico residiram na casa de Zebedeu em Betsaida. Durante todo este período de cinco meses da estação seca um enorme acampamento foi mantido à beira-mar perto da residência de Zebedeu, a qual havia sido grandemente ampliada para acomodar a crescente família de Jesus. Este acampamento à beira-mar, ocupado por uma população em constante mudança de buscadores da verdade, candidatos à cura e devotos por curiosidade, contava entre quinhentos e mil e quinhentos. Esta cidade de tendas estava sob a supervisão geral de Davi Zebedeu, auxiliado pelos gêmeos Alfeu. O acampamento era um modelo de ordem e higiene, bem como na sua administração geral. Os doentes de diferentes tipos eram segregados e ficavam sob a supervisão de um médico crente, um sírio chamado Elman.

148:0.2 (1657.2) Durante todo este período os apóstolos iam pescar pelo menos um dia por semana, vendendo o pescado a Davi para consumo no acampamento à beira-mar. Os recursos assim recebidos eram repassados às economias do grupo. Os doze estavam autorizados a passar uma semana por mês com suas famílias ou amigos.

148:0.3 (1657.3) Enquanto André continuou no comando geral das atividades apostólicas, Pedro ficou totalmente encarregado da escola dos evangelistas. Todos os apóstolos faziam a sua parte ensinando grupos de evangelistas todas as manhãs, e tanto os professores como os alunos ensinavam o povo durante as tardes. Depois da refeição noturna, cinco noites por semana, os apóstolos davam aulas de perguntas para benefício dos evangelistas. Uma vez por semana Jesus presidia esta hora de perguntas, respondendo às questões pendentes das sessões anteriores.

148:0.4 (1657.4) Em cinco meses vários milhares de pessoas vieram a este acampamento e se foram. Pessoas interessadas de todas as partes do Império Romano e das terras a leste do Eufrates estavam presentes com frequência. Este foi o período mais longo e bem organizado do ensinamento do Mestre. A família imediata de Jesus passou a maior parte deste tempo em Nazaré ou em Caná.

148:0.5 (1657.5) O acampamento não era conduzido como uma comunidade de interesses comuns, como era a família apostólica. Davi Zebedeu administrava esta grande cidade de tendas para que se tornasse um empreendimento autossustentável, apesar de ninguém ter sido jamais rejeitado. Este acampamento em constante mudança era uma característica indispensável da escola de formação evangelística de Pedro.

 

1. Uma Nova Escola dos Profetas

 

148:1.1 (1657.6) Pedro, Tiago e André formaram o comitê designado por Jesus para encaminhar os candidatos à admissão na escola de evangelistas. Todas as raças e nacionalidades do mundo romano e do Oriente, até à Índia, estavam representadas entre os estudantes desta nova escola dos profetas. Esta escola foi conduzida com base no plano de aprender e fazer. O que os alunos aprendiam durante a manhã, eles ensinavam à assembleia à beira-mar durante a tarde. Depois do jantar discutiam informalmente tanto o aprendizado da manhã quanto o ensino da tarde.

148:1.2 (1658.1) Cada um dos professores apostólicos ensinava a sua própria visão do evangelho do reino. Eles não faziam nenhum esforço para ensinar da mesma forma; não havia formulação padronizada ou dogmática de doutrinas teológicas. Embora todos ensinassem a mesma verdade, cada apóstolo apresentava a sua própria interpretação pessoal do ensinamento do Mestre. E Jesus manteve esta apresentação da diversidade da experiência pessoal nas coisas do reino, harmonizando e coordenando infalivelmente estas muitas e divergentes visões do evangelho nos horários de perguntas semanais dele. Apesar deste grande grau de liberdade pessoal em matéria de ensinamento, Simão Pedro tendia a dominar a teologia da escola de evangelistas. Ao lado de Pedro, Tiago Zebedeu exercia a maior influência pessoal.

148:1.3 (1658.2) Os mais de cem evangelistas treinados durante estes cinco meses à beira-mar representaram o material do qual (com exceção dos apóstolos de Abner e de João) foram extraídos os últimos setenta instrutores e pregadores do evangelho. A escola dos evangelistas não tinha tudo em comum no mesmo grau que os doze.

148:1.4 (1658.3) Estes evangelistas, embora ensinassem e pregassem o evangelho, não batizavam os crentes senão depois de terem sido ordenados e comissionados por Jesus como os setenta mensageiros do reino. Apenas sete do grande número de curados na cena do pôr do sol neste local foram encontrados entre estes estudantes evangelísticos. O filho do nobre de Cafarnaum foi um dos treinados para o serviço evangélico na escola de Pedro.

 

2. O Hospital de Betsaida

 

148:2.1 (1658.4) Em conexão com o acampamento à beira-mar, Elman, o médico sírio, com a assistência de um corpo de vinte e cinco jovens mulheres e doze homens, organizou e dirigiu durante quatro meses o que deveria ser considerado o primeiro hospital do reino. Nesta enfermaria, localizada a curta distância ao sul da principal cidade de tendas, tratavam os enfermos de acordo com todos os métodos materiais conhecidos, bem como pelas práticas espirituais de prece e encorajamento à fé. Jesus visitava os enfermos deste acampamento pelo menos três vezes por semana e fazia contato pessoal com cada sofredor. Até onde sabemos, nenhum dos chamados milagres de cura sobrenatural ocorreu entre os mil aflitos e enfermos que saíram desta enfermaria melhorados ou curados. Contudo, a vasta maioria destes indivíduos beneficiados não deixava de proclamar que Jesus os havia curado.

148:2.2 (1658.5) Muitas das curas efetuadas por Jesus em conexão com a sua ministração em favor dos pacientes de Elman pareciam, de fato, assemelhar-se à produção de milagres, mas fomos instruídos de que elas eram apenas transformações da mente e do espírito como pode ocorrer na experiência de pessoas expectantes e dominadas pela fé que estejam sob a influência imediata e inspiradora de uma personalidade forte, positiva e beneficente, cuja ministração elimina o medo e destrói a ansiedade.

148:2.3 (1658.6) Elman e os seus companheiros esforçaram-se por ensinar a verdade a estes doentes a respeito da “possessão por espíritos malignos”, mas tiveram pouco êxito. A crença de que a doença física e a perturbação mental poderiam ser causadas pela presença de um chamado espírito impuro na mente ou no corpo da pessoa aflita era quase universal.

148:2.4 (1659.1) Em todo o seu contato com os doentes e aflitos, quando se tratava da técnica de tratamento ou da revelação das causas desconhecidas das doenças, Jesus não desconsiderava as instruções do seu irmão do Paraíso, Emanuel, dadas antes de ele embarcar na aventura da encarnação de Urântia. Apesar disto, aqueles que ministravam aos enfermos aprenderam muitas lições úteis ao observarem a maneira como Jesus inspirava a fé e a confiança dos enfermos e sofredores.

148:2.5 (1659.2) O acampamento se desfez pouco tempo antes de começar a estação do aumento dos resfriados e febre.

 

3. Os Assuntos do Pai

 

148:3.1 (1659.3) Durante todo este período Jesus conduziu serviços públicos no acampamento menos de uma dúzia de vezes e falou apenas uma vez na sinagoga de Cafarnaum, no segundo Sabá antes de sua partida com os evangelistas recém-formados na sua segunda ronda de pregação pública pela Galileia.

148:3.2 (1659.4) Desde o seu batismo o Mestre nunca tinha estado tão sozinho como durante este período do acampamento de formação dos evangelistas em Betsaida. Sempre que qualquer um dos apóstolos se aventurava a perguntar a Jesus por que ele estava tão ausente do meio deles, ele invariavelmente respondia que estava “cuidando dos assuntos do Pai”.

148:3.3 (1659.5) Durante estes períodos de ausência, Jesus estava acompanhado apenas por dois dos apóstolos. Ele tinha liberado temporariamente Pedro, Tiago e João de seu compromisso como seus acompanhantes pessoais para que também pudessem participar na obra de formação dos novos candidatos evangelísticos, que eram mais de cem. Quando o Mestre desejava ir às colinas para cuidar dos assuntos do Pai, ele convocava para acompanhá-lo quaisquer dois dos apóstolos que pudessem estar livres. Desta forma cada um dos doze usufruiu de uma oportunidade de ligação próxima e contato íntimo com Jesus.

148:3.4 (1659.6) Não foi revelado para os propósitos deste registro, mas fomos levados a inferir que o Mestre, durante muitas destas temporadas solitárias nas colinas, esteve em associação direta e executiva com muitos dos seus principais dirigentes de assuntos do universo. Desde a época do seu batismo, este Soberano encarnado do nosso universo havia se tornado crescente e conscientemente ativo na direção de certas fases da administração do universo. E sempre mantivemos a opinião de que, de alguma forma não revelada aos seus companheiros imediatos, durante estas semanas de menor participação nos assuntos da Terra, ele esteve envolvido na direção daquelas inteligências espirituais elevadas que estavam encarregadas da gestão de um vasto universo, e que o Jesus humano escolheu designar tais atividades de sua parte como sendo “relativas aos assuntos do seu Pai”.

148:3.5 (1659.7) Muitas vezes, quando Jesus ficava sozinho por horas, mas quando dois dos seus apóstolos estavam por perto, eles observavam que as feições dele passavam por mudanças rápidas e numerosas, embora não o ouvissem dizer nenhuma palavra. Tampouco observavam qualquer manifestação visível de seres celestiais que pudessem estar em comunicação com seu Mestre, como alguns deles testemunharam numa ocasião posterior.

 

4. Mal, Pecado e Iniquidade

 

148:4.1 (1659.8) Era hábito de Jesus duas noites por semana manter conversas especiais com indivíduos que desejassem conversar com ele, num certo canto isolado e abrigado do jardim de Zebedeu. Numa destas conversas noturnas em particular Tomé fez esta pergunta ao Mestre: “Por que é necessário que os homens nasçam do espírito para entrar no reino? O renascimento é necessário para escapar do controle do maligno? Mestre, o que é o mal?” Ao ouvir estas perguntas, Jesus disse a Tomé:

148:4.2 (1660.1) “Não cometam o erro de confundir o mal com o maligno, mais corretamente, com o iníquo. Aquele a quem vocês chamam de maligno é o filho do amor próprio, o alto administrador que conscientemente entrou em rebelião deliberada contra o governo do meu Pai e Seus filhos leais. Mas eu já venci estes rebeldes pecaminosos. Deixe clara em sua mente estas diferentes atitudes em relação ao Pai e Seu universo. Nunca se esqueça destas leis de relação com a vontade do Pai:

148:4.3 (1660.2) “O mal é a transgressão inconsciente ou não intencional da lei divina, da vontade do Pai. O mal é igualmente a medida da imperfeição da obediência à vontade do Pai.

148:4.4 (1660.3) “O pecado é a transgressão consciente, sabedora e deliberada da lei divina, da vontade do Pai. O pecado é a medida da falta de vontade de ser guiado divinamente e dirigido espiritualmente.

148:4.5 (1660.4) “A iniquidade é a transgressão voluntária, determinada e persistente da lei divina, da vontade do Pai. A iniquidade é a medida da rejeição contínua ao plano amoroso de sobrevivência da personalidade do Pai e da ministração misericordiosa de salvação dos Filhos.

148:4.6 (1660.5) “Por natureza, antes do renascimento do espírito, o homem mortal está sujeito a tendências malignas inerentes, mas tais imperfeições naturais de comportamento não são nem pecado nem iniquidade. O homem mortal está apenas começando sua longa ascensão até a perfeição do Pai no Paraíso. Ser imperfeito ou parcial em termos de dotação natural não é pecaminoso. O homem está de fato sujeito ao mal, mas ele não é de forma alguma filho do maligno, a menos que tenha escolhido consciente e deliberadamente os caminhos do pecado e a vida da iniquidade. O mal é inerente à ordem natural deste mundo, mas o pecado é uma atitude de rebelião consciente que foi trazida a este mundo por aqueles que caíram da luz espiritual para as trevas densas.

148:4.7 (1660.6) “Você está confuso, Tomé, com as doutrinas dos gregos e com os erros dos persas. Você não entende as relações entre o mal e o pecado porque vê a humanidade como começando na Terra com um Adão perfeito e degenerando rapidamente, por meio do pecado, até o atual estado deplorável do homem. Mas por que você se recusa a compreender o significado do registro que revela como Caim, o filho de Adão, foi para a terra de Nod e lá conseguiu uma esposa? E por que você se recusa a interpretar o significado do registro que retrata os filhos de Deus encontrando esposas para si entre as filhas dos homens?

148:4.8 (1660.7) “Os homens são, de fato, maus por natureza, mas não necessariamente pecadores. O novo nascimento – o batismo do espírito – é essencial para a libertação do mal e necessário para a entrada no reino do céu, mas nada disto diminui o fato de que o homem é filho de Deus. Nem esta presença inerente do mal potencial significa que o homem está de alguma forma misteriosamente afastado do Pai no céu, de modo que, como estranho, forasteiro ou enteado, ele tem que de alguma forma procurar a adoção legal pelo Pai. Todas essas noções nascem, primeiro, da sua compreensão errônea do Pai e, segundo, da sua ignorância sobre a origem, a natureza e o destino do homem.

148:4.9 (1660.8) “Os gregos e outros ensinaram-lhes que o homem está descendo da perfeição divina continuamente em direção ao esquecimento ou à destruição; eu vim para mostrar que o homem, ao entrar no reino, está ascendendo certeira e seguramente até Deus e à perfeição divina. Qualquer ser que de alguma forma fique aquém dos ideais divinos e espirituais da vontade do Pai eterno é potencialmente mau, mas tais seres não são de forma alguma pecaminosos, muito menos iníquos.

148:4.10 (1661.1) “Tomé, você não leu sobre isto nas Escrituras, onde está escrito: ‘Vós sois filhos do Senhor vosso Deus’. ‘Eu serei o seu Pai e ele será Meu filho.’ ‘Eu o escolhi para ser Meu filho – Eu serei seu Pai.’ ‘Traga Meus filhos de longe e Minhas filhas dos confins da Terra; até mesmo todo aquele que é chamado pelo Meu nome, pois Eu os criei para Minha glória.’ ‘Vós sois os filhos do Deus vivo.’ ‘Aqueles que têm o espírito de Deus são de fato filhos de Deus.’ Embora haja uma parte material do pai humano no filho natural, há uma parte espiritual do Pai celestial em cada filho de fé do reino.”

148:4.11 (1661.2) Jesus disse tudo isto e muito mais a Tomé, e muito disto o apóstolo compreendeu, embora Jesus o tenha advertido a “não falar aos outros sobre estes assuntos antes que eu tenha retornado ao Pai”. E Tomé não mencionou esta conversa senão depois que o Mestre partiu deste mundo.

 

5. O Propósito da Aflição

 

148:5.1 (1661.3) Em outra destas conversas privadas no jardim Natanael perguntou a Jesus: “Mestre, embora eu esteja começando a entender por que você se recusa a praticar a cura indiscriminadamente, ainda não consigo entender por que o amoroso Pai no céu permite que tantos de seus filhos na Terra sofram tantas aflições”. O Mestre respondeu a Natanael, dizendo:

148:5.2 (1661.4) “Natanael, você e muitos outros ficam assim perplexos porque não compreendem como a ordem natural deste mundo tem sido tantas vezes perturbada pelas aventuras pecaminosas de certos traidores rebeldes da vontade do Pai. E eu vim para começar a colocar estas coisas em ordem. Mas serão necessárias muitas eras para restaurar esta parte do universo aos caminhos anteriores e assim libertar os filhos dos homens dos fardos adicionais do pecado e da rebelião. A presença do mal por si só é um teste suficiente para a ascensão do homem – o pecado não é essencial à sobrevivência.

148:5.3 (1661.5) “Mas, meu filho, você deveria saber que o Pai não aflige os Seus filhos propositalmente. O homem traz sobre si aflições desnecessárias como resultado de sua persistente recusa em trilhar os melhores caminhos da vontade divina. A aflição é potencial no mal, mas grande parte dela foi produzida pelo pecado e pela iniquidade. Muitos eventos incomuns ocorreram neste mundo, e não é estranho que todos os homens pensantes fiquem perplexos com as cenas de sofrimento e aflição que testemunham. Mas de uma coisa você pode ter certeza: o Pai não envia a aflição como punição arbitrária por transgressões. As imperfeições e desvantagens do mal são inerentes; as penalidades do pecado são inevitáveis; as consequências destruidoras da iniquidade são inexoráveis. O homem não deve culpar a Deus pelas aflições que são o resultado natural da vida que ele escolhe viver; nem o homem deve queixar-se daquelas experiências que fazem parte da vida tal como é vivida neste mundo. É a vontade do Pai que o homem mortal trabalhe persistente e consistentemente para melhorar sua situação na Terra. A aplicação inteligente permitiria ao homem superar grande parte da sua miséria terrena.

148:5.4 (1662.1) “Natanael, é nossa missão ajudar os homens a resolverem os seus problemas espirituais e, desta forma, vivificar as suas mentes para que possam estar mais bem preparados e inspirados para resolverem os seus múltiplos problemas materiais. Conheço sua confusão ao ler as Escrituras. Com demasiada frequência tem prevalecido a tendência de atribuir a Deus a responsabilidade por tudo o que o homem ignorante não consegue compreender. O Pai não é pessoalmente responsável por tudo que vocês possam deixar de compreender. Não duvide do amor do Pai só porque alguma lei justa e sábia que Ele ordenou possa afligi-lo porque você tenha transgredido inocente ou deliberadamente tal ordenança divina.

148:5.5 (1662.2) “Mas, Natanael, há muita coisa nas Escrituras que o teria instruído se você apenas tivesse lido com discernimento. Você não se lembra de que está escrito: ‘Meu filho, não despreze a repreensão do Senhor; nem se canse de sua correção, pois o Senhor corrige a quem ama, assim como o pai corrige o filho em quem se compraz. ‘O Senhor não aflige de boa vontade.’ ‘Antes de ser afligido, eu me desviava, mas agora eu guardo a lei. A aflição foi boa para mim, para que assim eu pudesse aprender os estatutos divinos.’ ‘Conheço suas tristezas. O Deus eterno é o seu refúgio, enquanto por baixo estão os braços eternos.’ ‘O Senhor também é um refúgio para os oprimidos, um abrigo de repouso em tempos de angústia.’ ‘O Senhor os fortalecerá no leito da aflição; o Senhor não se esquecerá dos enfermos.’ ‘Assim como um pai mostra compaixão pelos seus filhos, assim o Senhor é compassivo para com aqueles que O temem. Ele conhece seu corpo; ele se lembra de que você é pó.’ ‘Ele cura os corações quebrantados e enfaixa as suas feridas.’ ‘Ele é a esperança dos pobres, a força dos necessitados em sua angústia, um refúgio da tempestade e uma sombra no calor devastador.’ ‘Ele dá poder aos fracos, e aos que não têm poder ele aumenta a força.’ ‘Uma cana estalada Ele não quebrará, e o pavio fumegante Ele não apagará.’ ‘Quando você passar pelas águas da aflição, estarei com você, e quando os rios da adversidade o inundarem, não o abandonarei.’ ‘Ele enviou-me para curar os quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos cativos e para consolar todos os que choram.’ ‘Há correção no sofrimento; a aflição não brota do pó.’”

 

6. A Incompreensão do Sofrimento – Discurso sobre Jó

 

148:6.1 (1662.3) Foi nesta mesma noite em Betsaida que João também perguntou a Jesus por que tantas pessoas aparentemente inocentes sofriam de tantas doenças e experimentavam tantas aflições. Ao responder às perguntas de João, entre muitas outras coisas, o Mestre disse:

148:6.2 (1662.4) “Meu filho, você não compreende o significado da adversidade ou a missão do sofrimento. Você não leu aquela obra-prima da literatura semita – a história bíblica das aflições de Jó? Você não se lembra de como esta maravilhosa parábola começa com a narração da prosperidade material do servo do Senhor? Você se lembra bem de que Jó foi abençoado com filhos, riqueza, dignidade, posição, saúde e tudo mais que os homens valorizam nesta vida temporal. De acordo com os venerados ensinamentos antigos dos filhos de Abraão tal prosperidade material era evidência suficiente do favorecimento divino. Mas tais posses materiais e tal prosperidade temporal não indicam o favorecimento de Deus. Meu Pai no céu ama os pobres tanto quanto os ricos; ele não faz acepção de pessoas.

148:6.3 (1663.1) “Embora a transgressão da lei divina seja, mais cedo ou mais tarde, seguida pela colheita da punição, embora os homens certamente acabem por colher o que semearam, ainda assim vocês deveriam saber que o sofrimento humano nem sempre é uma punição pelo pecado antecedente. Tanto Jó como os seus amigos não conseguiram encontrar a verdadeira resposta para as suas perplexidades. E com a luz de que vocês desfrutam agora, dificilmente atribuiriam a Satanás ou a Deus os papéis que eles desempenham nesta parábola única. Embora Jó, através do sofrimento, não tenha encontrado a resolução de seus problemas intelectuais ou a solução das suas dificuldades filosóficas, ele de fato alcançou grandes vitórias; mesmo diante do colapso das suas defesas teológicas, ele ascendeu àquelas alturas espirituais onde podia dizer sinceramente: “Eu me abomino”; então lhe foi concedida a salvação de uma visão de Deus. Assim, mesmo através do sofrimento incompreendido, Jó ascendeu ao plano sobre-humano de compreensão moral e discernimento espiritual. Quando o servo sofredor obtém uma visão de Deus, segue-se uma paz de alma que ultrapassa todo o entendimento humano.

148:6.4 (1663.2) “O primeiro dos amigos de Jó, Elifas, exortou o sofredor a exibir nas suas aflições a mesma coragem que ele havia prescrito para os outros durante os dias de sua prosperidade. Disse este falso consolador: ‘Confie na sua religião, Jó; lembre-se de que são os ímpios e não os justos que sofrem. Você tem que merecer este castigo, caso contrário não seria afligido. Você bem sabe que nenhum homem consegue ser justo aos olhos de Deus. Você sabe que os ímpios nunca prosperam realmente. De qualquer forma, o homem parece predestinado a problemas, e talvez o Senhor esteja apenas castigando você para o seu próprio bem’. Não é de admirar que o pobre Jó não tenha conseguido obter muito conforto com tal interpretação do problema do sofrimento humano.

148:6.5 (1663.3) “Mas o conselho do seu segundo amigo, Bildad, foi ainda mais deprimente, apesar da sua solidez do ponto de vista da teologia então aceita. Disse Bildad: ‘Deus não pode ser injusto. Seus filhos têm que ter sido pecadores pois que morreram; você tem que estar errado, caso contrário não ficaria tão afligido. E se você for realmente justo, Deus certamente o livrará das suas aflições. Você deveria aprender com a história do trato de Deus com o homem que o Todo-Poderoso destrói apenas os ímpios.’

148:6.6 (1663.4) “E então vocês se lembram de como Jó respondeu aos seus amigos, dizendo: ‘Eu sei muito bem que Deus não ouve o meu pedido de socorro. Como pode Deus ser justo e ao mesmo tempo desconsiderar tão completamente minha inocência? Estou aprendendo que não consigo obter nenhuma satisfação em apelar ao Todo-Poderoso. Vocês não conseguem discernir que Deus tolera a perseguição dos bons pelos ímpios? E já que o homem é tão fraco, que chance ele tem de ser considerado às mãos de um Deus onipotente? Deus me fez como sou e quando Ele se volta contra mim estou indefeso. E por que Deus me criou apenas para sofrer desta forma miserável?’

148:6.7 (1663.5) “E quem pode desafiar a atitude de Jó tendo em vista o conselho dos seus amigos e as ideias errôneas de Deus que ocupavam a sua própria mente? Você não vê que Jó ansiava por um Deus humano, que ele ansiava por comungar com um Ser divino que conhece o estado mortal do homem e entende que os justos muitas vezes têm que sofrer na inocência como parte desta primeira vida da longa ascensão ao Paraíso? Por que o Filho do Homem saiu do Pai para viver tal vida na carne que será capaz de confortar e socorrer todos aqueles que doravante serão chamados a suportar as aflições de Jó?

148:6.8 (1663.6) “O terceiro amigo de Jó, Zofar, falou então palavras ainda menos reconfortantes quando disse: ‘Você é tolo em afirmar ser justo, visto que está assim afligido. Mas admito que é impossível compreender os caminhos de Deus. Talvez haja algum propósito oculto em todas as suas misérias.’ E quando Jó ouviu todos os seus três amigos, ele apelou diretamente a Deus por ajuda, alegando o fato de que ‘o homem, nascido de mulher, é escasso em dias e abundante em dificuldades’.

148:6.9 (1664.1) “Então começou a segunda sessão com os seus amigos. Elifas ficou mais severo, acusador e sarcástico. Bildad ficou indignado com o desprezo de Jó pelos seus amigos. Zofar reiterou seu conselho melancólico. A essa altura, Jó já estava enojado com seus amigos e apelou novamente para Deus, e agora ele apelou para um Deus justo contra o Deus da injustiça incorporado na filosofia dos seus amigos e consagrado até mesmo em sua própria atitude religiosa. Em seguida, Jó refugiou-se no consolo de uma vida futura na qual as desigualdades da existência mortal possam ser corrigidas com mais justiça. A falha em receber ajuda do homem leva Jó a Deus. Segue-se então a grande luta em seu coração entre a fé e a dúvida. Finalmente, o sofredor humano começa a ver a luz da vida; sua alma torturada ascende a novos patamares de esperança e coragem; ele pode sofrer e até morrer, mas sua alma iluminada agora emite aquele grito de triunfo: ‘Meu Vindicador vive!’

148:6.10 (1664.2) “Jó estava totalmente certo quando desafiou a doutrina de que Deus aflige os filhos para punir os seus pais. Jó estava sempre pronto a admitir que Deus é justo, mas ansiava por alguma revelação que satisfizesse a alma quanto ao caráter pessoal do Eterno. E essa é a nossa missão na Terra. Nunca mais será negado aos mortais sofredores o conforto de conhecer o amor de Deus e compreender a misericórdia do Pai no céu. Embora a palavra de Deus proferida no redemoinho fosse um conceito majestoso para o dia em que foi pronunciada, você já aprendeu que o Pai não Se revela assim, mas antes que Ele fala dentro do coração humano como uma voz mansa e suave, dizendo: ‘Este é o caminho; ande nele’. Você não compreende que Deus reside dentro de você, que Ele se tornou o que você é para que Ele possa fazer de você o que Ele é!”

148:6.11 (1664.3) Então Jesus fez esta declaração final: “O Pai no céu não aflige voluntariamente os filhos dos homens. O homem sofre, primeiro, com os acidentes do tempo e com as imperfeições do mal de uma existência física imatura. Em seguida, ele sofre as consequências inexoráveis do pecado – a transgressão das leis da vida e da luz. E, finalmente, o homem colhe a colheita da sua própria persistência iníqua na rebelião contra o governo justo do céu sobre a Terra. Mas as misérias do homem não são uma visitação pessoal do julgamento divino. O homem pode e fará muito para diminuir seus sofrimentos temporais. Mas, de uma vez por todas, liberte-se da superstição de que Deus aflige o homem por ordem do maligno. Estude o Livro de Jó apenas para descobrir quantas ideias erradas sobre Deus até mesmo os homens bons podem honestamente nutrir; e então observe como até mesmo o dolorosamente afligido Jó encontrou o Deus de conforto e salvação, apesar de tais ensinamentos errôneos. Por fim, a fé dele atravessou as nuvens do sofrimento para discernir a luz da vida que emana do Pai como misericórdia curadora e justiça eterna”.

148:6.12 (1664.4) João ponderou nestas palavras em seu coração por muitos dias. Sua vida inteira após isso mudou acentuadamente como resultado desta conversa com o Mestre no jardim, e ele fez muito, em tempos posteriores, para induzir os outros apóstolos a mudarem seus pontos de vista sobre a fonte, natureza e propósito das aflições humanas comuns. Mas João nunca falou desta conversa senão depois da partida do Mestre.

 

7. O Homem com a Mão Atrofiada

 

148:7.1 (1664.5) No segundo Sabá antes da partida dos apóstolos e do novo corpo de evangelistas para a segunda ronda de pregação pela Galileia, Jesus falou na sinagoga de Cafarnaum sobre as “Alegrias de uma Vida Reta”. Quando Jesus terminou de falar, um grande grupo de mutilados, coxos, doentes e aflitos aglomerou-se ao seu redor, em busca de cura. Também neste grupo estavam os apóstolos, muitos dos novos evangelistas e os espiões fariseus de Jerusalém. Onde quer que Jesus fosse (exceto quando estava nas colinas cuidando dos assuntos do Pai), os seis espias de Jerusalém certamente o seguiriam.

148:7.2 (1665.1) O líder dos fariseus espiões, enquanto Jesus conversava com o povo, induziu um homem com a mão atrofiada a aproximar-se dele e perguntar se seria lícito ser curado no dia do Sabá ou se ele deveria procurar ajuda em outro dia. Quando Jesus viu o homem, ouviu suas palavras e percebeu que ele havia sido enviado pelos fariseus, disse: “Aproxime-se enquanto eu lhe faço uma pergunta. Se você tivesse uma ovelha e ela caísse em uma cova no sábado, você se abaixaria, a agarraria e a retiraria? É lícito fazer tais coisas no dia do Sabá?” E o homem respondeu: “Sim, Mestre, seria lícito fazer bem no dia do Sabá”. Então disse Jesus, falando para todos eles: “Sei por que vocês enviaram este homem à minha presença. Vocês encontrariam motivo para ofensa em mim se conseguissem me tentar a mostrar misericórdia no dia do Sabá. Em silêncio todos vocês concordaram que era lícito tirar a infeliz ovelha da cova, mesmo no Sabá, e eu os convido a testemunhar que é lícito demonstrar bondade amorosa no dia do Sabá, não apenas para com os animais, mas também para com os homens. Quanto mais valioso é um homem do que uma ovelha! Eu proclamo que é lícito fazer o bem aos homens no dia do Sabá”. E enquanto todos estavam diante dele em silêncio, Jesus, dirigindo-se ao homem com a mão atrofiada, disse: “Fique aqui ao meu lado para que todos possam ver você. E agora, para que vocês saibam que é a vontade de meu Pai que vocês façam o bem no dia do Sabá, se você tiver fé para ser curado, peço-lhe que estenda a mão”.

148:7.3 (1665.2) E quando este homem estendeu a mão atrofiada, ela ficou curada. O povo estava decidido a voltar-se contra os fariseus, mas Jesus ordenou-lhes que ficassem calmos, dizendo: “Acabei de lhes dizer que é lícito fazer o bem no Sabá, para salvar vidas, mas não os instruí a fazer o mal e dar vazão ao desejo de matar”. Os fariseus irados foram embora e, apesar de ser o dia do Sabá, apressaram-se imediatamente para Tiberíades e aconselharam-se com Herodes, fazendo tudo o que estava ao alcance deles para despertar o seu preconceito a fim de assegurar os herodianos como aliados contra Jesus. Mas Herodes recusou-se a agir contra Jesus, aconselhando-os a levarem as queixas deles a Jerusalém.

148:7.4 (1665.3) Este é o primeiro caso de um milagre realizado por Jesus em resposta ao desafio dos seus inimigos. E o Mestre realizou este chamado milagre, não como uma demonstração do seu poder de cura, mas como um protesto eficaz contra fazer do descanso religioso do Sabá uma verdadeira escravidão de restrições sem sentido para toda a humanidade. Este homem voltou ao seu trabalho como pedreiro, provando ser um daqueles cuja cura foi seguida por uma vida de ação de graças e retidão.

 

8. Última Semana em Betsaida

 

148:8.1 (1665.4) Na última semana da estada em Betsaida os espiões de Jerusalém ficaram muito divididos na sua atitude para com Jesus e os ensinamentos dele. Três destes fariseus ficaram tremendamente impressionados com o que tinham visto e ouvido. Enquanto isso, em Jerusalém, Abraão, um jovem e influente membro do Sinédrio, abraçou publicamente os ensinamentos de Jesus e foi batizado na piscina de Siloé por Abner. Toda Jerusalém ficou entusiasmada com este acontecimento, e mensageiros foram imediatamente enviados a Betsaida chamando de volta os seis fariseus espiões.

148:8.2 (1666.1) O filósofo grego que havia sido conquistado para o reino na ronda anterior pela Galileia retornou com certos judeus ricos de Alexandria, e mais uma vez eles convidaram Jesus para ir à cidade deles com o propósito de estabelecer uma escola conjunta de filosofia e religião, bem como uma enfermaria para os doentes. Mas Jesus recusou cortesmente o convite.

148:8.3 (1666.2) Por volta desta época chegou ao acampamento de Betsaida um profeta do transe, de Bagdá, um certo Kirmeth. Este suposto profeta tinha visões peculiares quando estava em transe e tinha sonhos fantásticos quando seu sono era perturbado. Ele criou uma perturbação considerável no acampamento, e Simão Zelotes foi a favor de lidar de forma bastante rude com o fingidor autoenganado, mas Jesus interveio e permitiu-lhe total liberdade de ação por alguns dias. Todos os que ouviram sua pregação logo reconheceram que seu ensinamento não era sólido conforme julgado pelo evangelho do reino. Ele logo retornou a Bagdá, levando consigo apenas meia dúzia de almas instáveis e erráticas. Mas antes de Jesus interceder pelo profeta de Bagdá, Davi Zebedeu, com a ajuda de um comitê autonomeado, havia levado Kirmeth para o lago e, depois de mergulhá-lo repetidamente na água, aconselhou-o a partir dali – para organizar e construir um acampamento próprio.

148:8.4 (1666.3) Neste mesmo dia, Beth-Marion, uma mulher fenícia, tornou-se tão fanática que ficou fora de si e, depois de quase se afogar ao tentar andar sobre as águas, foi mandada embora pelos seus amigos.

148:8.5 (1666.4) O novo convertido de Jerusalém, Abraão, o fariseu, deu todos os seus bens mundanos ao tesouro apostólico, e esta contribuição fez muito para tornar possível o envio imediato dos cem evangelistas recém-formados. André já havia anunciado o encerramento do acampamento e todos se prepararam para voltar para casa ou seguir os evangelistas até a Galileia.

 

9. Cura do Paralítico

 

148:9.1 (1666.5) Na tarde de sexta-feira, 1º de outubro, quando Jesus estava realizando a sua última reunião com os apóstolos, evangelistas e outros líderes do acampamento em extinção, e com os seis fariseus de Jerusalém sentados na primeira fila desta assembleia na espaçosa e ampliada sala da frente da casa de Zebedeu, ocorreu um dos episódios mais estranhos e singulares de toda a vida terrena de Jesus. O Mestre estava, neste momento, falando de pé nesta grande sala, que havia sido construída para acomodar estas reuniões durante a estação das chuvas. A casa estava inteiramente cercada por uma vasta multidão de pessoas que aguçavam os ouvidos para captar alguma parte do discurso de Jesus.

148:9.2 (1666.6) Enquanto a casa estava apinhada de gente e inteiramente cercada por ouvintes ávidos, um homem que há muito sofria de paralisia foi carregado de Cafarnaum pelos seus amigos num pequeno sofá. Este paralítico tinha ouvido falar que Jesus estava prestes a deixar Betsaida e, tendo conversado com Arão, o pedreiro, que recentemente havia sido curado, resolveu ser levado à presença de Jesus, onde poderia buscar cura. Seus amigos tentaram entrar na casa de Zebedeu pelas portas da frente e dos fundos, mas muitas pessoas se amontoavam. Mas o paralítico recusou-se a aceitar a derrota; ele orientou seus amigos a procurarem escadas pelas quais subissem ao telhado da sala em que Jesus estava falando e, depois de soltar as telhas, baixaram ousadamente o doente em seu sofá por cordas até que o aflito pousasse no chão exatamente diante do Mestre. Quando Jesus viu o que tinham feito, parou de falar, enquanto os que estavam com ele na sala ficaram maravilhados com a perseverança do doente e dos seus amigos. Disse o paralítico: “Mestre, eu não perturbaria o seu ensinamento, mas estou determinado a ser curado. Não sou como aqueles que receberam cura e imediatamente esqueceram o seu ensinamento. Gostaria de ser curado para poder servir no reino do céu”. Ora, apesar de a aflição deste homem ter sido trazida sobre ele pela sua própria vida desperdiçada, Jesus, vendo a sua fé, disse ao paralítico: “Filho, não tema; seus pecados estão perdoados. Sua fé o salvará”.

 

 

 

 

 

 

148:9.3 (1667.1) Quando os fariseus de Jerusalém, juntamente com outros escribas e advogados que estavam sentados com eles, ouviram este pronunciamento de Jesus, começaram a dizer para si mesmos: “Como ousa este homem falar assim? Ele não entende que tais palavras são blasfêmia? Quem pode perdoar o pecado senão Deus?” Jesus, percebendo em seu espírito que eles raciocinavam assim dentro de suas próprias mentes e entre si, falou-lhes, dizendo: “Por que raciocinam assim em seus corações? Quem são vocês para me julgar? Qual é a diferença se eu digo a este paralítico: seus pecados estão perdoados, ou levante-se, pegue seu leito e ande? Mas para que vocês que testemunham tudo isto possam finalmente saber que o Filho do Homem tem autoridade e poder na Terra para perdoar pecados, direi a este homem aflito: levante-se, pegue o seu leito e vá para a sua casa”. E, tendo Jesus dito isto, levantou-se o paralítico e, enquanto abriam caminho para ele, saiu diante de todos. E aqueles que viram estas coisas ficaram maravilhados. Pedro dispensou a assembleia, enquanto muitos rezavam e glorificavam a Deus, confessando que nunca antes tinham visto acontecimentos tão estranhos.

 

 

 

 

 

148:9.4 (1667.2) E foi neste momento que os mensageiros do Sinédrio chegaram para ordenar que os seis espiões retornassem a Jerusalém. Quando ouviram esta mensagem, iniciaram um debate fervoroso entre si; e depois de terem terminado as discussões, o líder e dois de seus companheiros retornaram com os mensageiros a Jerusalém, enquanto três dos fariseus espiões confessavam a fé em Jesus e, indo imediatamente para o lago, foram batizados por Pedro e recebidos na comunidade pelos apóstolos como filhos do reino.

 

Paper 148

Training Evangelists at Bethsaida

148:0.1 (1657.1) FROM May 3 to October 3, a.d. 28, Jesus and the apostolic party were in residence at the Zebedee home at Bethsaida. Throughout this five months’ period of the dry season an enormous camp was maintained by the seaside near the Zebedee residence, which had been greatly enlarged to accommodate the growing family of Jesus. This seaside camp, occupied by an ever-changing population of truth seekers, healing candidates, and curiosity devotees, numbered from five hundred to fifteen hundred. This tented city was under the general supervision of David Zebedee, assisted by the Alpheus twins. The encampment was a model in order and sanitation as well as in its general administration. The sick of different types were segregated and were under the supervision of a believer physician, a Syrian named Elman.

148:0.2 (1657.2) Throughout this period the apostles would go fishing at least one day a week, selling their catch to David for consumption by the seaside encampment. The funds thus received were turned over to the group treasury. The twelve were permitted to spend one week out of each month with their families or friends.

148:0.3 (1657.3) While Andrew continued in general charge of the apostolic activities, Peter was in full charge of the school of the evangelists. The apostles all did their share in teaching groups of evangelists each forenoon, and both teachers and pupils taught the people during the afternoons. After the evening meal, five nights a week, the apostles conducted question classes for the benefit of the evangelists. Once a week Jesus presided at this question hour, answering the holdover questions from previous sessions.

148:0.4 (1657.4) In five months several thousand came and went at this encampment. Interested persons from every part of the Roman Empire and from the lands east of the Euphrates were in frequent attendance. This was the longest settled and well-organized period of the Master’s teaching. Jesus’ immediate family spent most of this time at either Nazareth or Cana.

148:0.5 (1657.5) The encampment was not conducted as a community of common interests, as was the apostolic family. David Zebedee managed this large tent city so that it became a self-sustaining enterprise, notwithstanding that no one was ever turned away. This ever-changing camp was an indispensable feature of Peter’s evangelistic training school.


1. A New School of the Prophets


148:1.1 (1657.6) Peter, James, and Andrew were the committee designated by Jesus to pass upon applicants for admission to the school of evangelists. All the races and nationalities of the Roman world and the East, as far as India, were represented among the students in this new school of the prophets. This school was conducted on the plan of learning and doing. What the students learned during the forenoon they taught to the assembly by the seaside during the afternoon. After supper they informally discussed both the learning of the forenoon and the teaching of the afternoon.

148:1.2 (1658.1) Each of the apostolic teachers taught his own view of the gospel of the kingdom. They made no effort to teach just alike; there was no standardized or dogmatic formulation of theologic doctrines. Though they all taught the same truth, each apostle presented his own personal interpretation of the Master’s teaching. And Jesus upheld this presentation of the diversity of personal experience in the things of the kingdom, unfailingly harmonizing and co-ordinating these many and divergent views of the gospel at his weekly question hours. Notwithstanding this great degree of personal liberty in matters of teaching, Simon Peter tended to dominate the theology of the school of evangelists. Next to Peter, James Zebedee exerted the greatest personal influence.

148:1.3 (1658.2) The one hundred and more evangelists trained during this five months by the seaside represented the material from which (excepting Abner and John’s apostles) the later seventy gospel teachers and preachers were drawn. The school of evangelists did not have everything in common to the same degree as did the twelve.

148:1.4 (1658.3) These evangelists, though they taught and preached the gospel, did not baptize believers until after they were later ordained and commissioned by Jesus as the seventy messengers of the kingdom. Only seven of the large number healed at the sundown scene at this place were to be found among these evangelistic students. The nobleman’s son of Capernaum was one of those trained for gospel service in Peter’s school.


2. The Bethsaida Hospital


148:2.1 (1658.4) In connection with the seaside encampment, Elman, the Syrian physician, with the assistance of a corps of twenty-five young women and twelve men, organized and conducted for four months what should be regarded as the kingdom’s first hospital. At this infirmary, located a short distance to the south of the main tented city, they treated the sick in accordance with all known material methods as well as by the spiritual practices of prayer and faith encouragement. Jesus visited the sick of this encampment not less than three times a week and made personal contact with each sufferer. As far as we know, no so-called miracles of supernatural healing occurred among the one thousand afflicted and ailing persons who went away from this infirmary improved or cured. However, the vast majority of these benefited individuals ceased not to proclaim that Jesus had healed them.

148:2.2 (1658.5) Many of the cures effected by Jesus in connection with his ministry in behalf of Elman’s patients did, indeed, appear to resemble the working of miracles, but we were instructed that they were only just such transformations of mind and spirit as may occur in the experience of expectant and faith-dominated persons who are under the immediate and inspirational influence of a strong, positive, and beneficent personality whose ministry banishes fear and destroys anxiety.

148:2.3 (1658.6) Elman and his associates endeavored to teach the truth to these sick ones concerning the “possession of evil spirits,” but they met with little success. The belief that physical sickness and mental derangement could be caused by the dwelling of a so-called unclean spirit in the mind or body of the afflicted person was well-nigh universal.

148:2.4 (1659.1) In all his contact with the sick and afflicted, when it came to the technique of treatment or the revelation of the unknown causes of disease, Jesus did not disregard the instructions of his Paradise brother, Immanuel, given ere he embarked upon the venture of the Urantia incarnation. Notwithstanding this, those who ministered to the sick learned many helpful lessons by observing the manner in which Jesus inspired the faith and confidence of the sick and suffering.

148:2.5 (1659.2) The camp disbanded a short time before the season for the increase in chills and fever drew on.


3. The Father’s Business


148:3.1 (1659.3) Throughout this period Jesus conducted public services at the encampment less than a dozen times and spoke only once in the Capernaum synagogue, the second Sabbath before their departure with the newly trained evangelists upon their second public preaching tour of Galilee.

148:3.2 (1659.4) Not since his baptism had the Master been so much alone as during this period of the evangelists’ training encampment at Bethsaida. Whenever any one of the apostles ventured to ask Jesus why he was absent so much from their midst, he would invariably answer that he was “about the Father’s business.”

148:3.3 (1659.5) During these periods of absence, Jesus was accompanied by only two of the apostles. He had released Peter, James, and John temporarily from their assignment as his personal companions that they might also participate in the work of training the new evangelistic candidates, numbering more than one hundred. When the Master desired to go to the hills about the Father’s business, he would summon to accompany him any two of the apostles who might be at liberty. In this way each of the twelve enjoyed an opportunity for close association and intimate contact with Jesus.

148:3.4 (1659.6) It has not been revealed for the purposes of this record, but we have been led to infer that the Master, during many of these solitary seasons in the hills, was in direct and executive association with many of his chief directors of universe affairs. Ever since about the time of his baptism this incarnated Sovereign of our universe had become increasingly and consciously active in the direction of certain phases of universe administration. And we have always held the opinion that, in some way not revealed to his immediate associates, during these weeks of decreased participation in the affairs of earth he was engaged in the direction of those high spirit intelligences who were charged with the running of a vast universe, and that the human Jesus chose to designate such activities on his part as being “about his Father’s business.”

148:3.5 (1659.7) Many times, when Jesus was alone for hours, but when two of his apostles were near by, they observed his features undergo rapid and multitudinous changes, although they heard him speak no words. Neither did they observe any visible manifestation of celestial beings who might have been in communication with their Master, such as some of them did witness on a subsequent occasion.


4. Evil, Sin, and Iniquity


148:4.1 (1659.8) It was the habit of Jesus two evenings each week to hold special converse with individuals who desired to talk with him, in a certain secluded and sheltered corner of the Zebedee garden. At one of these evening conversations in private Thomas asked the Master this question: “Why is it necessary for men to be born of the spirit in order to enter the kingdom? Is rebirth necessary to escape the control of the evil one? Master, what is evil?” When Jesus heard these questions, he said to Thomas:

148:4.2 (1660.1) “Do not make the mistake of confusing evil with the evil one, more correctly the iniquitous one. He whom you call the evil one is the son of self-love, the high administrator who knowingly went into deliberate rebellion against the rule of my Father and his loyal Sons. But I have already vanquished these sinful rebels. Make clear in your mind these different attitudes toward the Father and his universe. Never forget these laws of relation to the Father’s will:

148:4.3 (1660.2) “Evil is the unconscious or unintended transgression of the divine law, the Father’s will. Evil is likewise the measure of the imperfectness of obedience to the Father’s will.

148:4.4 (1660.3) “Sin is the conscious, knowing, and deliberate transgression of the divine law, the Father’s will. Sin is the measure of unwillingness to be divinely led and spiritually directed.

148:4.5 (1660.4) “Iniquity is the willful, determined, and persistent transgression of the divine law, the Father’s will. Iniquity is the measure of the continued rejection of the Father’s loving plan of personality survival and the Sons’ merciful ministry of salvation.

148:4.6 (1660.5) “By nature, before the rebirth of the spirit, mortal man is subject to inherent evil tendencies, but such natural imperfections of behavior are neither sin nor iniquity. Mortal man is just beginning his long ascent to the perfection of the Father in Paradise. To be imperfect or partial in natural endowment is not sinful. Man is indeed subject to evil, but he is in no sense the child of the evil one unless he has knowingly and deliberately chosen the paths of sin and the life of iniquity. Evil is inherent in the natural order of this world, but sin is an attitude of conscious rebellion which was brought to this world by those who fell from spiritual light into gross darkness.

148:4.7 (1660.6) “You are confused, Thomas, by the doctrines of the Greeks and the errors of the Persians. You do not understand the relationships of evil and sin because you view mankind as beginning on earth with a perfect Adam and rapidly degenerating, through sin, to man’s present deplorable estate. But why do you refuse to comprehend the meaning of the record which discloses how Cain, the son of Adam, went over into the land of Nod and there got himself a wife? And why do you refuse to interpret the meaning of the record which portrays the sons of God finding wives for themselves among the daughters of men?

148:4.8 (1660.7) “Men are, indeed, by nature evil, but not necessarily sinful. The new birth—the baptism of the spirit—is essential to deliverance from evil and necessary for entrance into the kingdom of heaven, but none of this detracts from the fact that man is the son of God. Neither does this inherent presence of potential evil mean that man is in some mysterious way estranged from the Father in heaven so that, as an alien, foreigner, or stepchild, he must in some manner seek for legal adoption by the Father. All such notions are born, first, of your misunderstanding of the Father and, second, of your ignorance of the origin, nature, and destiny of man.

148:4.9 (1660.8) “The Greeks and others have taught you that man is descending from godly perfection steadily down toward oblivion or destruction; I have come to show that man, by entrance into the kingdom, is ascending certainly and surely up to God and divine perfection. Any being who in any manner falls short of the divine and spiritual ideals of the eternal Father’s will is potentially evil, but such beings are in no sense sinful, much less iniquitous.

148:4.10 (1661.1) “Thomas, have you not read about this in the Scriptures, where it is written: ‘You are the children of the Lord your God.’ ‘I will be his Father and he shall be my son.’ ‘I have chosen him to be my son—I will be his Father.’ ‘Bring my sons from far and my daughters from the ends of the earth; even every one who is called by my name, for I have created them for my glory.’ ‘You are the sons of the living God.’ ‘They who have the spirit of God are indeed the sons of God.’ While there is a material part of the human father in the natural child, there is a spiritual part of the heavenly Father in every faith son of the kingdom.”

148:4.11 (1661.2) All this and much more Jesus said to Thomas, and much of it the apostle comprehended, although Jesus admonished him to “speak not to the others concerning these matters until after I shall have returned to the Father.” And Thomas did not mention this interview until after the Master had departed from this world.


5. The Purpose of Affliction


148:5.1 (1661.3) At another of these private interviews in the garden Nathaniel asked Jesus: “Master, though I am beginning to understand why you refuse to practice healing indiscriminately, I am still at a loss to understand why the loving Father in heaven permits so many of his children on earth to suffer so many afflictions.” The Master answered Nathaniel, saying:

148:5.2 (1661.4) “Nathaniel, you and many others are thus perplexed because you do not comprehend how the natural order of this world has been so many times upset by the sinful adventures of certain rebellious traitors to the Father’s will. And I have come to make a beginning of setting these things in order. But many ages will be required to restore this part of the universe to former paths and thus release the children of men from the extra burdens of sin and rebellion. The presence of evil alone is sufficient test for the ascension of man—sin is not essential to survival.

148:5.3 (1661.5) “But, my son, you should know that the Father does not purposely afflict his children. Man brings down upon himself unnecessary affliction as a result of his persistent refusal to walk in the better ways of the divine will. Affliction is potential in evil, but much of it has been produced by sin and iniquity. Many unusual events have transpired on this world, and it is not strange that all thinking men should be perplexed by the scenes of suffering and affliction which they witness. But of one thing you may be sure: The Father does not send affliction as an arbitrary punishment for wrongdoing. The imperfections and handicaps of evil are inherent; the penalties of sin are inevitable; the destroying consequences of iniquity are inexorable. Man should not blame God for those afflictions which are the natural result of the life which he chooses to live; neither should man complain of those experiences which are a part of life as it is lived on this world. It is the Father’s will that mortal man should work persistently and consistently toward the betterment of his estate on earth. Intelligent application would enable man to overcome much of his earthly misery.

148:5.4 (1662.1) “Nathaniel, it is our mission to help men solve their spiritual problems and in this way to quicken their minds so that they may be the better prepared and inspired to go about solving their manifold material problems. I know of your confusion as you have read the Scriptures. All too often there has prevailed a tendency to ascribe to God the responsibility for everything which ignorant man fails to understand. The Father is not personally responsible for all you may fail to comprehend. Do not doubt the love of the Father just because some just and wise law of his ordaining chances to afflict you because you have innocently or deliberately transgressed such a divine ordinance.

148:5.5 (1662.2) “But, Nathaniel, there is much in the Scriptures which would have instructed you if you had only read with discernment. Do you not remember that it is written: ‘My son, despise not the chastening of the Lord; neither be weary of his correction, for whom the Lord loves he corrects, even as the father corrects the son in whom he takes delight.’ ‘The Lord does not afflict willingly.’ ‘Before I was afflicted, I went astray, but now do I keep the law. Affliction was good for me that I might thereby learn the divine statutes.’ ‘I know your sorrows. The eternal God is your refuge, while underneath are the everlasting arms.’ ‘The Lord also is a refuge for the oppressed, a haven of rest in times of trouble.’ ‘The Lord will strengthen him upon the bed of affliction; the Lord will not forget the sick.’ ‘As a father shows compassion for his children, so is the Lord compassionate to those who fear him. He knows your body; he remembers that you are dust.’ ‘He heals the brokenhearted and binds up their wounds.’ ‘He is the hope of the poor, the strength of the needy in his distress, a refuge from the storm, and a shadow from the devastating heat.’ ‘He gives power to the faint, and to them who have no might he increases strength.’ ‘A bruised reed shall he not break, and the smoking flax he will not quench.’ ‘When you pass through the waters of affliction, I will be with you, and when the rivers of adversity overflow you, I will not forsake you.’ ‘He has sent me to bind up the brokenhearted, to proclaim liberty to the captives, and to comfort all who mourn.’ ‘There is correction in suffering; affliction does not spring forth from the dust.’”


6. The Misunderstanding of Suffering—Discourse on Job


148:6.1 (1662.3) It was this same evening at Bethsaida that John also asked Jesus why so many apparently innocent people suffered from so many diseases and experienced so many afflictions. In answering John’s questions, among many other things, the Master said:

148:6.2 (1662.4) “My son, you do not comprehend the meaning of adversity or the mission of suffering. Have you not read that masterpiece of Semitic literature—the Scripture story of the afflictions of Job? Do you not recall how this wonderful parable begins with the recital of the material prosperity of the Lord’s servant? You well remember that Job was blessed with children, wealth, dignity, position, health, and everything else which men value in this temporal life. According to the time-honored teachings of the children of Abraham such material prosperity was all-sufficient evidence of divine favor. But such material possessions and such temporal prosperity do not indicate God’s favor. My Father in heaven loves the poor just as much as the rich; he is no respecter of persons.

148:6.3 (1663.1) “Although transgression of divine law is sooner or later followed by the harvest of punishment, while men certainly eventually do reap what they sow, still you should know that human suffering is not always a punishment for antecedent sin. Both Job and his friends failed to find the true answer for their perplexities. And with the light you now enjoy you would hardly assign to either Satan or God the parts they play in this unique parable. While Job did not, through suffering, find the resolution of his intellectual troubles or the solution of his philosophical difficulties, he did achieve great victories; even in the very face of the breakdown of his theological defenses he ascended to those spiritual heights where he could sincerely say, ‘I abhor myself’; then was there granted him the salvation of a vision of God. So even through misunderstood suffering, Job ascended to the superhuman plane of moral understanding and spiritual insight. When the suffering servant obtains a vision of God, there follows a soul peace which passes all human understanding.

148:6.4 (1663.2) “The first of Job’s friends, Eliphaz, exhorted the sufferer to exhibit in his afflictions the same fortitude he had prescribed for others during the days of his prosperity. Said this false comforter: ‘Trust in your religion, Job; remember that it is the wicked and not the righteous who suffer. You must deserve this punishment, else you would not be afflicted. You well know that no man can be righteous in God’s sight. You know that the wicked never really prosper. Anyway, man seems predestined to trouble, and perhaps the Lord is only chastising you for your own good.’ No wonder poor Job failed to get much comfort from such an interpretation of the problem of human suffering.

148:6.5 (1663.3) “But the counsel of his second friend, Bildad, was even more depressing, notwithstanding its soundness from the standpoint of the then accepted theology. Said Bildad: ‘God cannot be unjust. Your children must have been sinners since they perished; you must be in error, else you would not be so afflicted. And if you are really righteous, God will certainly deliver you from your afflictions. You should learn from the history of God’s dealings with man that the Almighty destroys only the wicked.’

148:6.6 (1663.4) “And then you remember how Job replied to his friends, saying: ‘I well know that God does not hear my cry for help. How can God be just and at the same time so utterly disregard my innocence? I am learning that I can get no satisfaction from appealing to the Almighty. Cannot you discern that God tolerates the persecution of the good by the wicked? And since man is so weak, what chance has he for consideration at the hands of an omnipotent God? God has made me as I am, and when he thus turns upon me, I am defenseless. And why did God ever create me just to suffer in this miserable fashion?’

148:6.7 (1663.5) “And who can challenge the attitude of Job in view of the counsel of his friends and the erroneous ideas of God which occupied his own mind? Do you not see that Job longed for a human God, that he hungered to commune with a divine Being who knows man’s mortal estate and understands that the just must often suffer in innocence as a part of this first life of the long Paradise ascent? Wherefore has the Son of Man come forth from the Father to live such a life in the flesh that he will be able to comfort and succor all those who must henceforth be called upon to endure the afflictions of Job.

148:6.8 (1663.6) “Job’s third friend, Zophar, then spoke still less comforting words when he said: ‘You are foolish to claim to be righteous, seeing that you are thus afflicted. But I admit that it is impossible to comprehend God’s ways. Perhaps there is some hidden purpose in all your miseries.’ And when Job had listened to all three of his friends, he appealed directly to God for help, pleading the fact that ‘man, born of woman, is few of days and full of trouble.’

148:6.9 (1664.1) “Then began the second session with his friends. Eliphaz grew more stern, accusing, and sarcastic. Bildad became indignant at Job’s contempt for his friends. Zophar reiterated his melancholy advice. Job by this time had become disgusted with his friends and appealed again to God, and now he appealed to a just God against the God of injustice embodied in the philosophy of his friends and enshrined even in his own religious attitude. Next Job took refuge in the consolation of a future life in which the inequities of mortal existence may be more justly rectified. Failure to receive help from man drives Job to God. Then ensues the great struggle in his heart between faith and doubt. Finally, the human sufferer begins to see the light of life; his tortured soul ascends to new heights of hope and courage; he may suffer on and even die, but his enlightened soul now utters that cry of triumph, ‘My Vindicator lives!’

148:6.10 (1664.2) “Job was altogether right when he challenged the doctrine that God afflicts children in order to punish their parents. Job was ever ready to admit that God is righteous, but he longed for some soul-satisfying revelation of the personal character of the Eternal. And that is our mission on earth. No more shall suffering mortals be denied the comfort of knowing the love of God and understanding the mercy of the Father in heaven. While the speech of God spoken from the whirlwind was a majestic concept for the day of its utterance, you have already learned that the Father does not thus reveal himself, but rather that he speaks within the human heart as a still, small voice, saying, ‘This is the way; walk therein.’ Do you not comprehend that God dwells within you, that he has become what you are that he may make you what he is!”

148:6.11 (1664.3) Then Jesus made this final statement: “The Father in heaven does not willingly afflict the children of men. Man suffers, first, from the accidents of time and the imperfections of the evil of an immature physical existence. Next, he suffers the inexorable consequences of sin—the transgression of the laws of life and light. And finally, man reaps the harvest of his own iniquitous persistence in rebellion against the righteous rule of heaven on earth. But man’s miseries are not a personal visitation of divine judgment. Man can, and will, do much to lessen his temporal sufferings. But once and for all be delivered from the superstition that God afflicts man at the behest of the evil one. Study the Book of Job just to discover how many wrong ideas of God even good men may honestly entertain; and then note how even the painfully afflicted Job found the God of comfort and salvation in spite of such erroneous teachings. At last his faith pierced the clouds of suffering to discern the light of life pouring forth from the Father as healing mercy and everlasting righteousness.”

148:6.12 (1664.4) John pondered these sayings in his heart for many days. His entire afterlife was markedly changed as a result of this conversation with the Master in the garden, and he did much, in later times, to cause the other apostles to change their viewpoints regarding the source, nature, and purpose of commonplace human afflictions. But John never spoke of this conference until after the Master had departed.


7. The Man with the Withered Hand


148:7.1 (1664.5) The second Sabbath before the departure of the apostles and the new corps of evangelists on the second preaching tour of Galilee, Jesus spoke in the Capernaum synagogue on the “Joys of Righteous Living.” When Jesus had finished speaking, a large group of those who were maimed, halt, sick, and afflicted crowded up around him, seeking healing. Also in this group were the apostles, many of the new evangelists, and the Pharisaic spies from Jerusalem. Everywhere that Jesus went (except when in the hills about the Father’s business) the six Jerusalem spies were sure to follow.

148:7.2 (1665.1) The leader of the spying Pharisees, as Jesus stood talking to the people, induced a man with a withered hand to approach him and ask if it would be lawful to be healed on the Sabbath day or should he seek help on another day. When Jesus saw the man, heard his words, and perceived that he had been sent by the Pharisees, he said: “Come forward while I ask you a question. If you had a sheep and it should fall into a pit on the Sabbath day, would you reach down, lay hold on it, and lift it out? Is it lawful to do such things on the Sabbath day?” And the man answered: “Yes, Master, it would be lawful thus to do well on the Sabbath day.” Then said Jesus, speaking to all of them: “I know wherefore you have sent this man into my presence. You would find cause for offense in me if you could tempt me to show mercy on the Sabbath day. In silence you all agreed that it was lawful to lift the unfortunate sheep out of the pit, even on the Sabbath, and I call you to witness that it is lawful to exhibit loving-kindness on the Sabbath day not only to animals but also to men. How much more valuable is a man than a sheep! I proclaim that it is lawful to do good to men on the Sabbath day.” And as they all stood before him in silence, Jesus, addressing the man with the withered hand, said: “Stand up here by my side that all may see you. And now that you may know that it is my Father’s will that you do good on the Sabbath day, if you have the faith to be healed, I bid you stretch out your hand.”

148:7.3 (1665.2) And as this man stretched forth his withered hand, it was made whole. The people were minded to turn upon the Pharisees, but Jesus bade them be calm, saying: “I have just told you that it is lawful to do good on the Sabbath, to save life, but I did not instruct you to do harm and give way to the desire to kill.” The angered Pharisees went away, and notwithstanding it was the Sabbath day, they hastened forthwith to Tiberias and took counsel with Herod, doing everything in their power to arouse his prejudice in order to secure the Herodians as allies against Jesus. But Herod refused to take action against Jesus, advising that they carry their complaints to Jerusalem.

148:7.4 (1665.3) This is the first case of a miracle to be wrought by Jesus in response to the challenge of his enemies. And the Master performed this so-called miracle, not as a demonstration of his healing power, but as an effective protest against making the Sabbath rest of religion a veritable bondage of meaningless restrictions upon all mankind. This man returned to his work as a stone mason, proving to be one of those whose healing was followed by a life of thanksgiving and righteousness.


8. Last Week at Bethsaida


148:8.1 (1665.4) The last week of the sojourn at Bethsaida the Jerusalem spies became much divided in their attitude toward Jesus and his teachings. Three of these Pharisees were tremendously impressed by what they had seen and heard. Meanwhile, at Jerusalem, Abraham, a young and influential member of the Sanhedrin, publicly espoused the teachings of Jesus and was baptized in the pool of Siloam by Abner. All Jerusalem was agog over this event, and messengers were immediately dispatched to Bethsaida recalling the six spying Pharisees.

148:8.2 (1666.1) The Greek philosopher who had been won for the kingdom on the previous tour of Galilee returned with certain wealthy Jews of Alexandria, and once more they invited Jesus to come to their city for the purpose of establishing a joint school of philosophy and religion as well as an infirmary for the sick. But Jesus courteously declined the invitation.

148:8.3 (1666.2) About this time there arrived at the Bethsaida encampment a trance prophet from Bagdad, one Kirmeth. This supposed prophet had peculiar visions when in trance and dreamed fantastic dreams when his sleep was disturbed. He created a considerable disturbance at the camp, and Simon Zelotes was in favor of dealing rather roughly with the self-deceived pretender, but Jesus intervened and allowed him entire freedom of action for a few days. All who heard his preaching soon recognized that his teaching was not sound as judged by the gospel of the kingdom. He shortly returned to Bagdad, taking with him only a half dozen unstable and erratic souls. But before Jesus interceded for the Bagdad prophet, David Zebedee, with the assistance of a self-appointed committee, had taken Kirmeth out into the lake and, after repeatedly plunging him into the water, had advised him to depart hence—to organize and build a camp of his own.

148:8.4 (1666.3) On this same day, Beth-Marion, a Phoenician woman, became so fanatical that she went out of her head and, after almost drowning from trying to walk on the water, was sent away by her friends.

148:8.5 (1666.4) The new Jerusalem convert, Abraham the Pharisee, gave all of his worldly goods to the apostolic treasury, and this contribution did much to make possible the immediate sending forth of the one hundred newly trained evangelists. Andrew had already announced the closing of the encampment, and everybody prepared either to go home or else to follow the evangelists into Galilee.


9. Healing the Paralytic


148:9.1 (1666.5) On Friday afternoon, October 1, when Jesus was holding his last meeting with the apostles, evangelists, and other leaders of the disbanding encampment, and with the six Pharisees from Jerusalem seated in the front row of this assembly in the spacious and enlarged front room of the Zebedee home, there occurred one of the strangest and most unique episodes of all Jesus’ earth life. The Master was, at this time, speaking as he stood in this large room, which had been built to accommodate these gatherings during the rainy season. The house was entirely surrounded by a vast concourse of people who were straining their ears to catch some part of Jesus’ discourse.

148:9.2 (1666.6) While the house was thus thronged with people and entirely surrounded by eager listeners, a man long afflicted with paralysis was carried down from Capernaum on a small couch by his friends. This paralytic had heard that Jesus was about to leave Bethsaida, and having talked with Aaron the stone mason, who had been so recently made whole, he resolved to be carried into Jesus’ presence, where he could seek healing. His friends tried to gain entrance to Zebedee’s house by both the front and back doors, but too many people were crowded together. But the paralytic refused to accept defeat; he directed his friends to procure ladders by which they ascended to the roof of the room in which Jesus was speaking, and after loosening the tiles, they boldly lowered the sick man on his couch by ropes until the afflicted one rested on the floor immediately in front of the Master. When Jesus saw what they had done, he ceased speaking, while those who were with him in the room marveled at the perseverance of the sick man and his friends. Said the paralytic: “Master, I would not disturb your teaching, but I am determined to be made whole. I am not like those who received healing and immediately forgot your teaching. I would be made whole that I might serve in the kingdom of heaven.” Now, notwithstanding that this man’s affliction had been brought upon him by his own misspent life, Jesus, seeing his faith, said to the paralytic: “Son, fear not; your sins are forgiven. Your faith shall save you.”

148:9.3 (1667.1) When the Pharisees from Jerusalem, together with other scribes and lawyers who sat with them, heard this pronouncement by Jesus, they began to say to themselves: “How dare this man thus speak? Does he not understand that such words are blasphemy? Who can forgive sin but God?” Jesus, perceiving in his spirit that they thus reasoned within their own minds and among themselves, spoke to them, saying: “Why do you so reason in your hearts? Who are you that you sit in judgment over me? What is the difference whether I say to this paralytic, your sins are forgiven, or arise, take up your bed, and walk? But that you who witness all this may finally know that the Son of Man has authority and power on earth to forgive sins, I will say to this afflicted man, Arise, take up your bed, and go to your own house.” And when Jesus had thus spoken, the paralytic arose, and as they made way for him, he walked out before them all. And those who saw these things were amazed. Peter dismissed the assemblage, while many prayed and glorified God, confessing that they had never before seen such strange happenings.

148:9.4 (1667.2) And it was about this time that the messengers of the Sanhedrin arrived to bid the six spies return to Jerusalem. When they heard this message, they fell to earnest debate among themselves; and after they had finished their discussions, the leader and two of his associates returned with the messengers to Jerusalem, while three of the spying Pharisees confessed faith in Jesus and, going immediately to the lake, were baptized by Peter and fellowshipped by the apostles as children of the kingdom.

 

Documento 148

Preparando os Evangelistas em Betsaída

148:0.1 (1657.1) DESDE o dia 3 de maio até o dia 3 de outubro do ano 28 d.C., Jesus e o grupo apostólico permaneceram na residência de Zebedeu em Betsaida. Durante esse período de cinco meses na estação da seca, um acampamento enorme foi mantido à beira-mar, perto da residência de Zebedeu, a qual havia sido bastante ampliada para acomodar a sempre crescente família de Jesus. Esse acampamento à beira-mar, ocupado por uma população de buscadores da verdade, de candidatos à cura e de fervorosos da curiosidade, os quais se alternavam sempre, abrigava de quinhentas a mil e quinhentas pessoas. Essa cidade de tendas estava sob a supervisão geral de Davi Zebedeu, ajudado pelos gêmeos Alfeus. O acampamento era um modelo de higiene, de ordem e administração geral. Doentes de tipos variados ficavam separados e sob a supervisão de um crente médico, um homem sírio chamado Elman.

148:0.2 (1657.2) Durante esse período, os apóstolos iam pescar pelo menos uma vez por semana, vendendo a Davi o que pegavam, para o consumo do acampamento à beira-mar. Os fundos recebidos iam para as economias do grupo. Aos doze era permitido passar uma semana por mês com as suas famílias ou amigos.

148:0.3 (1657.3) Enquanto André continuava como encarregado geral das atividades apostólicas, Pedro ficava encarregado inteiramente da escola dos evangelistas. Cada um dos apóstolos tinha a sua parte no ensino aos grupos de evangelistas, todas as manhãs e, tanto os instrutores quanto os alunos ensinavam ao povo durante as tardes. Depois da refeição da noite, cinco noites por semana, os apóstolos dirigiam horas de perguntas e respostas para aprimorar os evangelistas. Uma vez por semana Jesus presidia essa hora de perguntas, respondendo às questões não respondidas nas sessões anteriores.

148:0.4 (1657.4) Durante cinco meses, milhares de pessoas vieram a esse acampamento e partiram. Pessoas interessadas, de todas as partes do império romano e das terras no leste do Eufrates, formavam a audiência freqüente. Esse foi o período estabelecido e bem organizado mais longo de ensinamento do Mestre. A família pessoal de Jesus passou a maior parte desse período em Nazaré ou em Caná.

148:0.5 (1657.5) O acampamento não era dirigido como uma comunidade de interesses comuns, como o era a família apostólica. Davi Zebedeu administrava essa grande cidade feita de tendas, de um modo tal que ela se tornou uma empresa auto-sustentada, mas nem por isso ninguém jamais foi rejeitado lá. Esse acampamento, cujos residentes estavam sempre mudando, representava um aspecto indispensável da escola de aperfeiçoamento evangélico de Pedro.

 

1. Uma Nova Escola para Profetas

 

148:1.1 (1657.6) Pedro, Tiago e André formavam o comitê indicado por Jesus para admitir os candidatos à escola dos evangelistas. Todas as raças e nacionalidades do mundo romano, do leste e do oeste, mesmo de um lugar tão distante quanto a Índia, estavam representadas entre os estudantes nessa nova escola de profetas. Era uma escola dirigida à atividade do aprender e do fazer. O que os estudantes aprendiam durante a manhã, eles ensinavam aos que se reuniam à tarde, à beira-mar. Depois do almoço eles discutiam informalmente tanto o aprendizado da parte da manhã quanto o que haviam ensinado à tarde.

148:1.2 (1658.1) Cada um dos professores apostólicos ensinava segundo a própria visão do evangelho do Reino. Nenhum esforço era feito para ensinarem de um modo uniforme; não havia uma formulação padronizada, nem dogmatizada das doutrinas teológicas. Embora todos eles ensinassem a mesma verdade, cada apóstolo apresentava a sua própria interpretação pessoal do ensinamento do Mestre. E Jesus aprovava tais apresentações diversas, de experiências pessoais com as coisas do Reino, e coordenando infalivelmente e harmonizando tais visões múltiplas e divergentes do evangelho, durante as horas semanais nas quais dava as respostas. Não obstante esse alto grau de liberdade pessoal em relação às questões a serem ensinadas, Simão Pedro tinha a tendência de dominar a teologia da escola dos evangelistas. Depois de Pedro, Tiago Zebedeu exercia a maior influência pessoal.

148:1.3 (1658.2) Os mais de cem evangelistas treinados durante esses cinco meses à beira-mar representavam o corpo do qual (exceto Abner e os apóstolos de João) foram retirados os futuros setenta educadores e pregadores do evangelho. A escola de evangelistas não teve tudo em comum e no mesmo grau que os doze tiveram.

148:1.4 (1658.3) Esses evangelistas, embora ensinassem e pregassem o evangelho, não batizavam os crentes antes que fossem designados e ordenados por Jesus como os setenta mensageiros do Reino. Apenas sete, do grande número daqueles que haviam sido curados ao entardecer naquele local, encontravam-se entre esses estudantes evangélicos. O filho do nobre de Cafarnaum era um dos treinados para o serviço do evangelho na escola de Pedro.

 

2. O Hospital de Betsaída

 

148:2.1 (1658.4) Ligado ao acampamento à beira-mar e com a assistência de um corpo de vinte e cinco jovens mulheres e de vinte homens, Elman, o médico sírio, organizou e conduziu durante quatro meses o que deveria ser considerado como o primeiro hospital do Reino. Nessa enfermaria, localizada a uma curta distância ao sul da principal cidade das tendas, eles tratavam os doentes de acordo com os métodos materiais conhecidos e também segundo as práticas espirituais de encorajamento pela oração e pela fé. Jesus visitava os doentes desse acampamento nada menos do que três vezes por semana e fazia contato pessoal com cada um dos sofredores. Até onde sabemos, nenhum chamado milagre de cura supranatural ocorreu entre as mil pessoas afligidas e doentes que saíram bem melhores ou mesmo curadas, dessa enfermaria. Contudo, a grande maioria desses indivíduos beneficiados não parou de proclamar que Jesus os havia curado.

148:2.2 (1658.5) Muitas das curas efetuadas por Jesus, ligadas à sua ministração aos pacientes de Elman, de fato, assemelhavam-se a milagres, contudo foi indicado a nós que se tratava apenas de transformações da mente e do espírito, tais como as que podem ocorrer na vivência de pessoas em expectativa, e dominadas pela fé, quando estão sob a influência imediata e inspiradora de uma personalidade forte, positiva e benéfica, cuja ministração expulsa o medo e põe fim à ansiedade.

148:2.3 (1658.6) Elman e os seus companheiros esforçaram-se para ensinar a esses doentes a verdade sobre a “possessão pelos maus espíritos”, mas tiveram pouco êxito. A crença de que a doença física e o desarranjo mental poderiam ser causados pela presença de espíritos chamados impuros, na mente ou no corpo da pessoa afligida, era quase universal.

148:2.4 (1659.1) Em todo esse contato com os doentes e afligidos, quando se tratava da técnica de tratamento ou da revelação de causas desconhecidas para a doença, Jesus não desconsiderou as instruções de Emanuel, o seu irmão do Paraíso, dadas antes de ter embarcado na aventura da encarnação de Urântia. Não obstante isso, aqueles que ministravam aos doentes aprenderam muitas lições úteis, observando o modo pelo qual Jesus inspirava fé e confiança nos doentes e nos sofredores.

148:2.5 (1659.2) O acampamento dispersou-se pouco antes que se aproximasse a estação na qual ocorrem as epidemias de resfriados e febres.

 

3. Os Assuntos do Pai

 

148:3.1 (1659.3) Durante esse período, Jesus conduziu por doze vezes ao menos os serviços públicos no acampamento e falou apenas uma vez na sinagoga de Cafarnaum, no segundo sábado antes da partida deles junto com os evangelistas recém-treinados para a segunda viagem de pregação pública na Galiléia.

148:3.2 (1659.4) Desde o seu batismo, o Mestre não passara tanto tempo na solidão quanto neste período do acampamento de aperfeiçoamento dos evangelistas, em Betsaida. Quando um dos apóstolos aventurava-se a perguntar a Jesus por que ele havia-se afastado de todos por tanto tempo, ele responderia invariavelmente que estava “cuidando dos negócios do Pai”.

148:3.3 (1659.5) Durante esses períodos de ausência, Jesus estivera acompanhado apenas por dois dos apóstolos. Ele havia liberado Pedro, Tiago e João temporariamente do compromisso de acompanhantes pessoais para que eles pudessem participar também do trabalho de aperfeiçoamento dos novos candidatos evangelistas, cujo número era acima de cem. Quando o Mestre desejava ir para as colinas cuidar dos assuntos do Pai, ele chamava para acompanhá-lo qualquer um dos apóstolos que estivesse livre. Desse modo todos os doze desfrutaram de uma oportunidade de ligação reservada e de contato direto íntimo com Jesus.

148:3.4 (1659.6) Não foi revelado, aos propósitos deste registro, mas nós fomos levados a inferir que, durante muitas dessas permanências solitárias nas colinas, o Mestre tenha estado em contato direto e em ligação, para fins organizadores, com os seus principais diretores de assuntos do universo. Desde o tempo do seu batismo, aproximadamente, o Soberano encarnado do nosso universo tornava-se cada vez mais ativo e consciente na direção de determinados assuntos da administração do universo. E nós temos sempre sustentado a opinião de que, de algum modo não revelado aos seus colaboradores imediatos, durante essas semanas de menor participação nos assuntos da Terra, ele pudesse estar empenhado na direção daquelas altas inteligências espirituais, encarregadas de dirigir um vasto universo. E o Jesus humano escolheu então denominar essas suas atividades como sendo “os assuntos do meu Pai”.

148:3.5 (1659.7) Muitas vezes, quando Jesus estava sozinho durante horas e acontecia que dois dos seus apóstolos se encontravam por perto, eles observavam as suas feições passarem por alterações rápidas e numerosas, embora eles não o escutassem dizendo nenhuma palavra. E também eles não observavam nenhuma manifestação visível de seres celestes que poderiam ter estado em comunicação com o seu Mestre, como aquelas que alguns deles testemunharam em ocasião posterior.

 

4. O Mal, o Pecado e a Iniqüidade

 

148:4.1 (1659.8) Era hábito de Jesus manter uma conversa especial, por duas noites a cada semana, com indivíduos que desejavam falar com ele, em um certo canto isolado e abrigado do jardim de Zebedeu. Numa dessas conversas noturnas em particular, Tomé fez ao Mestre esta pergunta: “Por que é necessário para os homens nascerem do espírito para entrar no Reino? O renascimento é necessário para escapar do controle do maligno? Mestre, o que é o mal?” Quando ouviu essas perguntas, Jesus disse a Tomé:

148:4.2 (1660.1) “Não cometas o erro de confundir o mal com o maligno, a quem, mais corretamente, chamaremos de iníquo. Aquele a quem tu chamas de maligno é filho do amor-próprio, é o alto administrador que deliberadamente entrou em rebelião consciente contra o governo do meu Pai e seus Filhos leais. Mas eu já triunfei sobre esses rebeldes pecadores. Que fique claro, na tua mente, como são diferentes a atitudes para com o Pai e o seu universo. Nunca te esqueças dessas leis de relação com a vontade do Pai:

148:4.3 (1660.2) “O mal é a transgressão inconsciente ou não intencional da lei divina, a vontade do Pai. O mal é, do mesmo modo, a medida da imperfeição da obediência à vontade do Pai.

148:4.4 (1660.3) “O pecado é a transgressão consciente, consabida e deliberada da lei divina, a vontade do Pai. O pecado é a medida da falta de vontade de ser conduzido divinamente e dirigido espiritualmente.

148:4.5 (1660.4) “A iniqüidade é a transgressão voluntária, determinada e persistente da lei divina, a vontade do Pai. A iniqüidade é a medida da rejeição continuada do plano de amor do Pai para a sobrevivência da personalidade e da ministração misericordiosa de salvação do Filho.

148:4.6 (1660.5) “Por natureza, antes do renascimento do espírito, o homem mortal fica sujeito a tendências inerentes para o mal, mas tais imperfeições naturais de comportamento não são pecado, nem iniqüidade. O homem mortal está apenas começando a sua longa ascensão até a perfeição do Pai no Paraíso. Ser imperfeito ou parcial, por limitação dos dons naturais, não é pecaminoso. O homem está de fato sujeito ao mal, mas ele não é, em nenhum sentido, um filho do maligno, a menos que ele tenha consciente e deliberadamente escolhido os caminhos do pecado e da vida da iniqüidade. O mal é inerente à ordem natural deste mundo, mas o pecado é uma atitude de rebelião consciente que foi trazida a este mundo por aqueles que caíram da luz espiritual entrando em trevas espessas.

148:4.7 (1660.6) “Tomé, estás confuso por causa das doutrinas dos gregos e dos erros dos persas. Não compreendes as relações entre o mal e o pecado porque visualizas a humanidade como tendo começado na Terra, com um Adão perfeito que se degenerou rapidamente, por pecado, até o estado deplorável atual do homem. Mas por que te recusas a compreender o significado do registro que revela que Caim, filho de Adão, foi para a terra de Nod e lá tomou uma mulher como esposa? E por que te recusas a interpretar o significado do registro que retrata os filhos de Deus encontrando esposas para si próprios entre as filhas dos homens?

148:4.8 (1660.7) “Os homens, de fato, são maus por natureza; mas não necessariamente pecadores. O novo nascimento — o batismo do espírito — é essencial para a libertação do mal e necessário para a entrada no Reino do céu; mas nada disso contradiz o fato de o homem ser filho de Deus. E a inerente presença, em potencial, do mal, não significa que o homem esteja, de um modo misterioso, apartado do Pai do céu, de uma maneira tal que, como se fora um estranho e um forasteiro, ou um filho adotado, deva buscar a adoção legal do Pai, de algum modo. Todas essas noções nascem, em primeiro lugar, do teu entendimento errado do Pai e, em segundo lugar, da tua ignorância da origem, natureza e destino do homem.

148:4.9 (1660.8) “Os gregos e outros povos ensinaram a ti que o homem descende da melhor perfeição, tendo caído diretamente no olvido ou destruição; eu vim para mostrar-te que, com a entrada no Reino, o homem está ascendendo segura e certamente até Deus e a perfeição divina. Qualquer ser que, de alguma maneira, não alcança os ideais divinos e espirituais da vontade do Pai eterno é potencialmente mau, mas tais seres não são, em nenhum sentido, pecadores e menos ainda iníquos.

148:4.10 (1661.1) “Tomé, já não leste sobre isso nas escrituras? Onde está escrito: ‘Vós sois filhos do Senhor o vosso Deus’. ‘Eu serei o seu Pai e ele será o meu filho.’ ‘Eu o escolhi para ser o meu filho — eu serei o seu Pai.’ ‘Trazei os meus filhos e as minhas filhas de longe, dos confins da Terra; e até mesmo a todos os que são chamados pelo meu nome, pois eu os criei para a minha glória.’‘Vós sois os filhos do Deus vivo.’‘Aqueles que têm o espírito de Deus de fato são os filhos de Deus.’ Conquanto haja uma parte material do pai humano no filho natural, há uma parte espiritual do Pai celeste em todos os filhos, pela fé, do Reino”.

148:4.11 (1661.2) Tudo isso e muito mais Jesus disse a Tomé, e os apóstolos compreenderam grande parte de tudo; no entanto, Jesus lhe advertiu para “não falar aos outros desses assuntos antes que eu tenha retornado para o Pai”. E Tomé só mencionou essa entrevista depois que o Mestre havia já partido deste mundo.

 

5. O Propósito da Aflição

 

148:5.1 (1661.3) Numa outra dessas entrevistas particulares no jardim, Natanael perguntou a Jesus: “Mestre, embora eu esteja começando a entender por que tu te recusas a praticar indiscriminadamente a cura, eu ainda não consigo compreender por que o Pai celeste, cheio de amor, permite que tantos dos seus filhos na Terra sofram de tamanhas aflições”. O Mestre respondeu a Natanael, dizendo:

148:5.2 (1661.4) “Natanael, tu e muitos outros estão perplexos assim porque tu não compreendes como a ordem natural deste mundo tem, por tantas vezes, sido desorganizada pelas aventuras pecaminosas de alguns traidores rebeldes para com a vontade do Pai. E eu vim para começar a colocar essas coisas em ordem. Mas muitas idades serão necessárias para reorientar e devolver esta parte do universo ao caminho anterior e, assim, libertar os filhos dos homens das cargas adicionais vindas do pecado e da rebelião. A presença do mal por si só é um teste suficiente para a ascensão do homem — o pecado não é essencial à sobrevivência.

148:5.3 (1661.5) “No entanto meu filho, deverias saber que o Pai não aflige aos seus filhos propositalmente. O homem traz aflições desnecessárias a si próprio, em vista da sua recusa persistente de conduzir-se dentro dos melhores caminhos da vontade divina. A aflição existe potencialmente no mal, mas grande parte dela foi produzida pelo pecado e pela iniqüidade. Muitos eventos incomuns tiveram lugar neste mundo; não é estranho que todos os homens que pensam acabem perplexos com as cenas de sofrimento e de aflição que testemunham. Mas de uma coisa tu podes estar certo: O Pai não envia a aflição como uma punição arbitrária para o erro. As imperfeições e as limitações do mal são inerentes ao mesmo; as punições para o mal são inevitáveis; as conseqüências destrutivas da iniqüidade são inexoráveis. O homem não deveria culpar a Deus por essas aflições, que são o resultado natural da vida que ele escolhe viver; nem deveria o homem reclamar das experiências que são parte da vida como é vivida neste mundo. A vontade do Pai é que o homem mortal devesse trabalhar com persistência, e coerentemente, no sentido da melhora do seu estado na Terra. O empenho inteligente capacitaria o homem a superar grande parte da sua miséria terrena.

148:5.4 (1662.1) “Natanael, parte da nossa missão é ajudar os homens a resolverem os seus problemas espirituais e, desse modo, vivificar as suas mentes de um modo tal que eles possam estar mais bem preparados e inspirados para resolver os seus múltiplos problemas materiais. Eu sei da tua confusão quando leste as escrituras. Muito freqüentemente tem prevalecido a tendência de atribuir a Deus a responsabilidade por tudo o que a ignorância do homem não o deixa compreender. O Pai não é pessoalmente responsável por tudo aquilo que não podes compreender. Não duvides do amor do Pai apenas por acontecer que alguma lei justa e sábia, ordenada por Ele, acabe afligindo-te talvez por teres, inocente ou deliberadamente, transgredido a essa ordem divina.

148:5.5 (1662.2) “No entanto, Natanael, há muitas coisas nas escrituras que te teriam servido de instrução, se as tivesses lido com discernimento. Não te lembras de que está escrito: ‘Meu filho, não desprezes o castigo do Senhor, nem te aborreças com a Sua correção, pois o Senhor corrige àquele a quem ama, do mesmo modo que o Pai corrige o filho em quem Se compraz’. ‘O Senhor não tem intenção de afligir.’ ‘Antes de ser afligido, eu me desviei, mas agora observo a lei. A aflição foi benéfica, para que eu pudesse aprender os estatutos divinos’.‘Conheço os vossos sofrimentos. O Deus eterno é vosso refúgio, enquanto embaixo mantém os Seus braços eternos’. ‘O Senhor é também um refúgio para os oprimidos, um ancoradouro de descanso nos tempos de complicações’. ‘O Senhor fortalecerá quem que cai no leito da aflição; o Senhor não esquecerá os doentes’. ‘Como um pai demonstra compaixão pelos seus filhos, também o Senhor é compassivo para com aqueles que O temem. Ele conhece vosso corpo; lembra-Se de que sois pó’. ‘Ele cura os corações partidos, e fecha as feridas’. ‘Ele é a esperança do pobre, a força do necessitado, na sua angústia, um Refúgio na tempestade e uma Sombra em um calor devastador’. ‘Ele dá poder aos fracos; daqueles que não têm nenhum poder, Ele aumenta as forças’. ‘Ele não quebrará uma cana já lascada, e a fibra em chama Ele não apagará’. ‘Quando passares pelas águas da aflição, Eu estarei contigo e, quando os rios da adversidade te submergirem, Eu não te abandonarei’. ‘Ele enviou-me para fechar as feridas no teu coração alquebrado, para proclamar a liberdade aos cativos, e para confortar a todos os que pranteiam’. ‘A correção acompanha o sofrimento; a aflição não brota do pó’”.

 

6. O Mal Entendido do Sofrimento —
O Discurso sobre Jó

 

148:6.1 (1662.3) Nessa mesma noite em Betsaida, João também perguntou a Jesus por que tantas pessoas aparentemente inocentes sofriam de tantas doenças e passavam por tantas aflições. Ao responder às perguntas de João, entre muitas outras coisas, o Mestre disse:

148:6.2 (1662.4) “Meu filho, tu não compreendes o significado da adversidade nem a missão do sofrimento. Tu não leste aquela obra-prima da literatura semita — a história das aflições de Jó nas escrituras? Tu não te lembras que essa parábola maravilhosa começa com o recital da prosperidade material do servo do Senhor? Tu te lembras bem de que Jó era abençoado com filhos, saúde, dignidade, posição, riqueza e tudo o mais que os homens valorizam nesta vida temporal. De acordo com os ensinamentos, há tanto tempo respeitados, dos filhos de Abraão, a prosperidade material seria uma evidência, suficiente por si mesma, do favorecimento divino. No entanto as posses materiais e a prosperidade temporal não indicam nenhum favorecimento de Deus. Meu Pai do céu ama os pobres tanto quanto os ricos; Ele não faz acepção de pessoas, não tem preferências por ninguém.

148:6.3 (1663.1) “Embora a transgressão da lei divina seja, mais cedo ou mais tarde, seguida da colheita da punição e, conquanto os homens certamente colham o que semeiam, tu ainda devias saber que o sofrimento humano nem sempre é uma punição por um pecado anterior. Tanto Jó, quanto os seus amigos, não conseguiram encontrar a verdadeira resposta para o motivo das próprias perplexidades. E, com a luz de que agora tu desfrutas, dificilmente poderias atribuir, seja a Satã, seja a Deus, os papéis que eles têm nessa parábola singular. Embora Jó não tenha encontrado, por meio do sofrimento, a solução dos seus problemas intelectuais, nem a resolução para as suas dificuldades filosóficas, ele conseguiu grandes vitórias; e, mesmo diante do desmoronamento das suas defesas teológicas, ele ascendeu até aquelas alturas espirituais, de onde ele podia dizer sinceramente: ‘eu abomino a mim próprio’; então foi concedida a ele a salvação de ter uma visão de Deus. E assim, por meio de um sofrimento incompreendido, Jó ascendeu a um plano supra-humano de compreensão moral e de discernimento espiritual interno. Quando o servidor que sofre consegue ter uma visão de Deus, segue-se uma paz de alma que ultrapassa toda a compreensão humana.

148:6.4 (1663.2) “O primeiro dos amigos de Jó, Elifas, exortou-o como sofredor a demonstrar, durante suas aflições, a mesma fortaleza que ele havia indicado aos outros durante os dias de sua prosperidade. Esse falso confortador disse: ‘Confia na tua religião, Jó; lembra-te de que é o perverso e não o justo que sofre. Tu deves merecer esse castigo, ou então não estarias afligido. Tu bem sabes que nenhum homem pode ser reto aos olhos de Deus. Tu sabes que o perverso nunca realmente prospera. De qualquer modo, o homem parece estar predestinado a ter problemas e talvez o Senhor esteja apenas castigando-te para teu próprio bem’. Não é de espantar que o pobre Jó não tivesse conseguido nenhum conforto com essa interpretação para o problema do sofrimento humano.

148:6.5 (1663.3) “Mas o conselho de seu segundo amigo, Bildad, foi mais deprimente ainda, não obstante sua integridade, do ponto de vista da então aceita teologia. Disse Bildad: ‘Deus não pode ser injusto. Os teus filhos devem ter sido pecadores já que faleceram; e tu deves estar cometendo algum erro, pois de outro modo não estarias tão afligido. E, se de fato és reto, Deus certamente irá libertar-te das aflições. Deverias aprender, da história das relações de Deus com o homem, que o Todo-Poderoso apenas destrói os malvados’.

148:6.6 (1663.4) “E, então, tu te lembras como Jó respondeu aos amigos, dizendo: ‘Eu bem sei que Deus não me ouve clamando por ajuda. Como pode Deus ser justo e, ao mesmo tempo, desconsiderar completamente minha inocência? Estou aprendendo que não posso ter nenhuma satisfação apelando para o Todo-Poderoso. Acaso não podeis discernir que Deus tolera a perseguição que os malvados fazem aos bons? E, já que o homem é tão fraco, com que possibilidade ele conta para ter consideração nas mãos de um Deus onipotente? Deus me fez como eu sou e, quando Ele volta-se assim contra mim, fico indefeso. E por que Deus me teria criado, apenas para sofrer desse jeito miserável?’

148:6.7 (1663.5) “E quem pode objetar-se à atitude de Jó, em face do conselho dos seus amigos e das idéias errôneas sobre Deus, as quais ocuparam a sua mente? Não vês que Jó aspirava por um Deus humano, que tinha fome de comungar com um Ser divino que conhece o estado mortal do homem e entende que o justo deve sempre sofrer na inocência, como uma parte dessa primeira vida da longa ascensão ao Paraíso? E a razão que fez o Filho do Homem vir do Pai, para viver esta vida na carne, é para que ele se torne capaz de confortar e de socorrer a todos aqueles que devem, doravante, ser chamados para suportar as aflições de Jó.

148:6.8 (1663.6) “Então o terceiro amigo de Jó, Zofar, pronunciou palavras menos confortantes ainda, quando disse: ‘É tolice tua pretender que estás na retidão, estando assim tão aflito. Mas eu admito que é impossível compreender os caminhos de Deus. Talvez haja algum propósito oculto em todas essas misérias’. E, depois de haver escutado todos os três amigos, Jó apelou diretamente a Deus pedindo ajuda, advogando que ‘o homem, nascido de mulher, é pobre de dias e rico de complicações’.

148:6.9 (1664.1) “E então começou a segunda sessão com seus amigos. Elifas tornou-se mais austero, acusador e sarcástico. Bildad ficou indignado com o desprezo de Jó por seus amigos. Zofar reiterou seu conselho melancólico. Jó a essa altura havia ficado enojado com tais amigos e apelou de novo para Deus; agora suplicava a um Deus justo, em oposição ao Deus da injustiça, incorporado na filosofia de seus amigos e mantido mesmo, em um relicário, por sua própria atitude religiosa. Em seguida, Jó buscou refúgio na consolação de uma vida futura, na qual as injustiças da existência mortal pudessem ser compensadas com mais equanimidade. O fracasso de receber a ajuda do homem leva Jó a Deus. E então acontece, no seu coração, a grande batalha entre a fé e a dúvida. Finalmente, o sofredor humano começa a ver a luz da vida; e sua alma torturada ascende a novos níveis em esperança e coragem; ele pode continuar sofrendo e mesmo morrer, mas a sua alma agora esclarecida profere aquele grito de triunfo: ‘O meu Reivindicador vive!’

148:6.10 (1664.2) “Jó estava totalmente certo quando colocou em dúvida a doutrina de que Deus aflige os filhos no fito de punir os pais. Jó esteve sempre pronto a admitir que Deus é reto e justo, mas Jó almejava uma revelação do caráter pessoal do Eterno, que satisfizesse a alma. E essa é a nossa missão na Terra. Não mais será negado, aos mortais sofredores, o conforto de conhecerem o amor de Deus e de compreenderem a misericórdia do Pai que está no céu. Conquanto o discurso de Deus, falando de dentro de uma tempestade, tivesse sido um conceito majestoso, para a época em que foi proferido, vós já aprendestes que o Pai não Se revela desse modo. Ele fala, sim, dentro do coração humano e com uma voz calma e suave, que diz: ‘Este é o caminho; caminhe por ele’. E tu não compreendes que Deus reside dentro de ti, que Ele transformou-Se no que tu és, para que Ele possa fazer de ti o que Ele é”.

148:6.11 (1664.3) Então Jesus fez a sua afirmação final: “O Pai no céu não aflige os filhos dos homens por seu próprio desejo. O homem sofre, em primeiro lugar, por causa dos acidentes do tempo e das imperfeições do mal numa existência física imatura. Em seguida, ele sofre as conseqüências inexoráveis do pecado — a transgressão das leis da vida e da luz. E finalmente o homem faz a colheita da sua própria e iníqua persistência na rebelião contra o governo justo do céu sobre a Terra. Mas as misérias do homem não são uma visitação pessoal de julgamento divino. O homem pode fazer, e irá fazer, muito, para minimizar os seus sofrimentos temporais. Mas, de uma vez por todas, libertai-vos da superstição de que Deus aflige o homem a comando daquele que é o maligno. Estudai o Livro de Jó, para simplesmente descobrirdes quantas idéias errôneas de Deus podem nutrir até mesmo os homens bons e sinceros. E, então, observai como, até mesmo aquele Jó, dolorosamente afligido, encontrou o Deus confortador e salvador, a despeito dos ensinamentos errôneos. Afinal a sua fé perfurou as nuvens do sofrimento e discerniu a luz da vida sendo vertida do Pai, como misericórdia de cura e equanimidade eterna”.

148:6.12 (1664.4) João ponderou sobre essas palavras no seu coração, durante muitos dias. Toda a sua vida, depois disso, foi modificada de um modo marcante por causa dessa conversa com o Mestre no jardim; e, posteriormente, ele fez muito para levar os outros apóstolos a mudarem os seus pontos de vista a respeito da fonte, da natureza e do propósito das aflições humanas comuns. Mas João nunca falou dessa conversa, até que o Mestre tivesse partido.

 

7. O Homem da Mão Deformada

 

148:7.1 (1664.5) No segundo sábado, antes da partida dos apóstolos e do novo corpo de evangelistas para a segunda viagem de pregações na Galiléia, Jesus falou na sinagoga de Cafarnaum sobre as “Alegrias de uma vida de retidão”. Quando Jesus terminou o seu discurso, um grupo grande de mutilados, coxos, doentes e afligidos amontoou-se em volta dele, em busca de cura. Nesse grupo também estavam os apóstolos, muitos dos novos evangelistas e os espiões fariseus de Jerusalém. Para todos os lados que Jesus ia (exceto quando estava nas colinas, cuidando dos assuntos do Pai), por certo os seis espiões de Jerusalém o seguiriam.

148:7.2 (1665.1) O líder dos espiões fariseus, enquanto Jesus estava falando ao povo, induziu um homem com uma mão murcha a aproximar-se Jesus e perguntar-lhe se estaria dentro da lei se ele fosse curado no dia de sábado ou se deveria buscar ajuda em um outro dia. Quando viu o homem e ouviu as suas palavras, Jesus percebeu que havia sido enviado pelos fariseus, e disse: “Avança um pouco enquanto eu te faço uma pergunta. Se tu tivesses uma ovelha e se ela caísse em um fosso, no dia de sábado, tu estenderias a mão até ela, pegá-la-ia e a traria para fora? É da lei fazer tais coisas no dia de sábado?” E o homem respondeu: “Sim, Mestre, seria da lei fazer tal bem no dia de sábado”. Então Jesus falou, dirigindo-se a todos eles: “Eu sei o motivo pelo qual enviastes este homem à minha presença. Vós gostaríeis de ter uma causa para inculpar-me, se pudésseis tentar-me a demonstrar misericórdia no dia de sábado. Pelo silêncio, todos vós concordastes que é da lei tirar a infeliz ovelha para fora do fosso, mesmo no sábado; e eu vos conclamo a testemunhar que é legal exibir amor e bondade no dia de sábado, não apenas aos animais, mas também aos homens. Bastante mais valioso do que uma ovelha é o homem! Eu proclamo que é legítimo fazer o bem aos homens, no dia de sábado”. E como eles permaneciam diante de Jesus em silêncio, Jesus, dirigindo-se ao homem com a mão inválida, disse: “Fica aqui ao meu lado para que todos possam ver-te. E agora, para que todos possais ficar sabendo que é da vontade do meu Pai que vós façais o bem no dia de sábado, se tu tiveres a fé para seres curado, eu convoco-te a esticar a tua mão”.

148:7.3 (1665.2) E, quando esse homem esticou a sua mão atrofiada, ela tornou-se sã. O povo havia decidido voltar-se contra os fariseus, mas Jesus ordenou-lhes que ficassem calmos, dizendo: “Eu vos disse apenas que é lícito fazer o bem no dia de sábado, salvar a vida, mas eu não vos instruí a fazer o mal, nem a dar vazão ao desejo de matar”. Os fariseus enfurecidos foram-se dali e, não obstante aquele dia fosse um sábado, eles apressaram-se a ir até Tiberíades para conversar com Herodes, fazendo tudo o que estava ao alcance deles para despertar a prevenção dele, com o fito de assegurar os herodianos como aliados contra Jesus. Mas Herodes recusou- se a tomar medidas contra Jesus; e aconselhou-lhes que levassem as suas queixas a Jerusalém.

148:7.4 (1665.3) Esse é o primeiro caso de um milagre realizado por Jesus, como resposta ao desafio dos seus inimigos. E o Mestre realizou esse chamado milagre, não como uma demonstração do seu poder de curar, mas como um protesto efetivo contra transformar o descanso religioso do sábado em uma verdadeira escravidão a restrições sem sentido para toda a humanidade. Esse homem retornou para o seu trabalho de pedreiro, dando provas de ser um daqueles cuja cura foi seguida de uma vida de agradecimento e de retidão.

 

8. A Última Semana em Betsaída

 

148:8.1 (1665.4) Na sua última semana de permanência em Betsaida, os espiões de Jerusalém estavam divididos quanto à sua atitude para com Jesus e seus ensinamentos. Três desses fariseus estavam altamente bem impressionados com o que eles tinham visto e ouvido. Nesse meio tempo, em Jerusalém, Abraão, um membro jovem e influente do sinédrio, esposou publicamente os ensinamentos de Jesus e foi batizado por Abner na piscina de Siloé. Toda Jerusalém ficou interessada por esse acontecimento; e mensageiros foram enviados imediatamente para Betsaida chamando de volta os seis espiões fariseus.

148:8.2 (1666.1) O filósofo grego que havia sido conquistado para o Reino, na viagem anterior pela Galiléia, retornou com uns certos judeus abastados de Alexandria; e uma vez mais eles convidaram Jesus para ir à cidade deles com o propósito de implantar uma escola de estudos conjuntos de filosofia e de religião, bem como uma enfermaria para os doentes. Mas Jesus declinou o convite de um modo cortês.

148:8.3 (1666.2) Por volta dessa época, chegou ao acampamento de Betsaida um profeta, em estado de transe, vindo de Bagdá, um certo Kirmet. Esse suposto profeta tinha visões estranhas quando ficava em transe e sonhava coisas fantásticas quando o seu sono era incomodado. Ele gerou uma perturbação considerável no acampamento; e Simão zelote era mais a favor de negociar do que de tratar rudemente o simulador, que se auto-enganava, mas Jesus interveio e permitiu a ele toda a liberdade de ação durante alguns dias. Todos aqueles que ouviram a sua pregação logo reconheceram que o seu ensinamento não era sadio, se visto segundo o evangelho do Reino. Em breve ele retornou para Bagdá, levando consigo apenas meia dúzia de almas instáveis e erráticas. Mas antes de Jesus ter intercedido pelo profeta de Bagdá, Davi Zebedeu, com a assistência de um comitê autoconvocado, havia levado Kirmet até o lago e, depois de mergulhá-lo repetidamente na água, havia aconselhado a ele partir logo dali — para organizar e construir o seu próprio acampamento.

148:8.4 (1666.3) Nesse mesmo dia, Bete-Marion, uma mulher fenícia, tornou-se tão fanática que ficou fora de si; depois de quase se afogar, tentando andar sobre as águas, foi mandada embora pelos seus amigos.

148:8.5 (1666.4) O novo convertido de Jerusalém, Abraão, o fariseu, deu todos os seus bens terrenos para os fundos apostólicos; e essa contribuição colaborou muito para possibilitar o envio imediato dos cem evangelistas recém-treinados. André havia já anunciado o final do acampamento, e todos já estavam preparados para retornar à casa ou seguir os evangelistas até a Galiléia.

 

9. Curando os Paralíticos

 

148:9.1 (1666.5) Na sexta-feira à tarde, 1o de outubro, Jesus participava do seu último encontro com os apóstolos, evangelistas e outros líderes do acampamento, que estava sendo desmontado, além dos seis fariseus de Jerusalém assentados na primeira fila nessa reunião na espaçosa e ampliada sala da frente da casa de Zebedeu, quando aconteceu um dos episódios mais estranhos e únicos de toda a vida terrena de Jesus. O Mestre estava, nesse momento, falando, na sala grande que havia sido construída para acomodar essas reuniões durante a estação das chuvas. A casa estava inteiramente cercada de uma grande multidão que forçava os seus próprios ouvidos para captar alguma parte das palavras de Jesus.

148:9.2 (1666.6) Enquanto, desse modo, a casa estava sendo atropelada pela gente e totalmente cercada por ouvintes ávidos, um homem, há muito afligido pela paralisia, veio, de Cafarnaum, em uma cadeirinha carregada pelos seus amigos. Esse paralítico soubera que Jesus estava para sair de Betsaida e, como conversara com Aaron, o pedreiro, que havia pouco tempo tinha sido curado, pediu que o carregassem até a presença de Jesus para buscar a cura. Os seus amigos tentaram entrar na casa de Zebedeu, não só pela porta da frente, mas também pela dos fundos, mas havia muita gente acotovelando-se ali. No entanto o paralítico recusou-se a aceitar esse malogro; pediu então aos seus amigos que buscassem escadas, e que subissem por elas ao telhado da sala onde Jesus estava falando. E assim, depois de retirar as telhas, ousadamente eles abaixaram o homem doente no seu assento, suspenso por cordas, até que o homem afligido estivesse no chão, exatamente na frente do Mestre. Quando Jesus viu o que eles haviam feito, parou de falar, enquanto aqueles que estavam ali na sala ficaram maravilhados com a perseverança do doente e dos seus amigos. E o paralítico disse: “Mestre, não gostaria de interromper o seu ensinamento, mas estou determinado a ser curado. Não sou como aqueles que receberam a cura e esqueceram-se imediatamente dos seus ensinamentos. Gostaria de ser curado para que possa servir ao Reino do céu”. Ora, não obstante a aflição desse homem ter sido causada pela sua vida desregrada, Jesus, vendo a sua fé, disse ao paralítico: “Filho, não temas; os teus pecados estão perdoados. A tua fé salvar-te-á”.

 

148:9.3 (1667.1) Quando os fariseus de Jerusalém, junto com outros escribas e advogados, que estavam assentados com eles, ouviram esse pronunciamento de Jesus, começaram a dizer a si próprios: “Como este homem ousa falar assim? Será que ele não entende que tais palavras são uma blasfêmia? Quem pode perdoar o pecado senão Deus?” Jesus percebeu, no seu espírito, que eles pensavam assim nas suas próprias mentes e falavam uns com os outros, então se dirigiu a eles, dizendo: “Por que pensam assim nos vossos corações? Quem sois para julgar-me? Qual a diferença entre eu dizer a este paralítico, os teus pecados estão perdoados; ou levanta, pega o seu leito e anda? Mas, após testemunharem tudo isso, para que possais finalmente saber que o Filho do Homem tem autoridade e poder na Terra para perdoar os pecados, eu direi a este homem afligido: Levanta, toma o teu assento e vá para a tua própria casa”. E, depois de Jesus ter falado assim, o paralítico levantou-se e, à medida que lhe davam passagem, ele caminhava para fora perante todos. E aqueles que viram essas coisas ficaram assombrados. Pedro dispersou a assembléia, enquanto muitos oravam e glorificavam a Deus, confessando que nunca antes tinham visto acontecimentos tão estranhos.

 

148:9.4 (1667.2) E foi nesse momento que os mensageiros do sinédrio chegaram com o intuito de chamar os seis espiões para voltar a Jerusalém. Quando ouviram essa mensagem, eles entraram em um debate sério; e, depois de terem terminado as discussões, o líder e dois dos seus colaboradores retornaram com os mensageiros para Jerusalém; enquanto três dos fariseus espiões confessaram a sua fé em Jesus e, indo imediatamente ao lago, foram batizados por Pedro e recebidos na comunidade pelos apóstolos como filhos do Reino.